Pela primeira vez na história, rochas e poeira do lado oculto da Lua saíram das mãos chinesas e entraram em um laboratório estrangeiro. A China entregou amostras coletadas por sua missão Chang'e 6 a cientistas russos, marcando um novo capítulo na cooperação em pesquisa lunar entre os dois países.
Uma entrega que levou meses de preparação
As amostras chegaram à Rússia depois que a espaçonave Chang'e 6 da China as trouxe de volta à Terra em junho de 2024. A missão pousou no lado oculto da Lua, uma região que nunca fica voltada para a Terra, e perfurou a superfície para coletar material. Pesquisadores russos receberam os espécimes no Instituto Vernadsky de Geoquímica e Química Analítica, em Moscou. A transferência ocorreu após um acordo formal entre a Administração Espacial Nacional da China e a corporação espacial estatal russa Roscosmos.
Por que o lado oculto é importante para os cientistas
Cientistas de ambos os países estão ansiosos para estudar essas amostras porque o lado oculto da Lua tem uma crosta mais espessa e uma história geológica diferente do lado visível. O material pode ajudar a responder questões antigas sobre a formação da Lua e o início do sistema solar. Para os pesquisadores russos, o acesso a essas amostras é especialmente valioso. A Rússia não coleta material lunar desde a missão Luna 24 da União Soviética, em 1976, que trouxe amostras do lado visível.
Reações locais e o que vem a seguir
A mídia estatal chinesa noticiou a entrega como um sinal de aprofundamento dos laços espaciais entre Pequim e Moscou. As duas nações vêm colaborando mais estreitamente em projetos espaciais nos últimos anos, incluindo planos para uma Estação Internacional de Pesquisa Lunar conjunta. Para a comunidade científica russa, a chegada de amostras do lado oculto representa uma oportunidade rara de trabalhar com material que nenhum outro país jamais obteve. As amostras serão analisadas em laboratórios russos, e os resultados devem ser compartilhados entre as duas agências espaciais.
Essa troca não reescreve a história da exploração lunar por si só. Mas mostra que as partes mais remotas da Lua estão agora ao alcance da cooperação internacional, e que as rochas que estão em um laboratório de Moscou hoje vieram de um lugar que nenhum ser humano jamais viu de perto.