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O custo oculto dos testes de medicamentos fracassados para os cientistas

Para cada medicamento que chega a uma prateleira de farmácia, centenas de outros desaparecem em ensaios clínicos. Mas os cientistas que passam anos desenvolvendo essas terapias fracassadas raramente falam sobre o que essa perda...

Para cada medicamento que chega a uma prateleira de farmácia, centenas de outros desaparecem em ensaios clínicos. Mas os cientistas que passam anos desenvolvendo essas terapias fracassadas raramente falam sobre o que essa perda significa. Agora, pesquisadores nos Estados Unidos estão se abrindo sobre a frustração silenciosa e desgastante de ver tratamentos promissores desmoronarem.

Anos de trabalho, um resultado decepcionante

A descoberta de medicamentos é um tiro no escuro por definição. Nos Estados Unidos, onde grande parte da pesquisa farmacêutica mundial está concentrada, a taxa de fracasso de terapias experimentais continua assustadoramente alta. Cientistas entrevistados para um relatório recente descreveram dedicar anos a uma única molécula ou abordagem de terapia genética, apenas para vê-la falhar durante os testes em humanos. Os motivos variam: um medicamento pode não funcionar como esperado, pode causar efeitos colaterais imprevistos ou a biologia simplesmente não coopera.

Um pesquisador que trabalhava com terapia genética lembrou o momento em que um ensaio foi interrompido. O tratamento havia mostrado resultados promissores em animais, mas em humanos não produziu o efeito desejado. Outro cientista descreveu a lenta percepção de que um candidato terapêutico nunca daria certo, apesar de anos de otimização. Essas histórias vêm de laboratórios e universidades de todo o país, onde a pressão para produzir resultados é constante.

O peso emocional dos pipelines vazios

As comunidades de pesquisa locais sentem o impacto de forma aguda. Quando um ensaio falha, não é apenas um revés financeiro. Pode significar o fim de uma linha de investigação à qual um cientista dedicou sua carreira. Colegas podem migrar para outros projetos. O financiamento pode secar. Para pesquisadores em início de carreira, um ensaio fracassado pode atrasar promoções ou dificultar a obtenção de bolsas.

Os cientistas disseram que muitas vezes têm dificuldade em processar esses resultados publicamente. A cultura da pesquisa acadêmica e industrial tende a celebrar os sucessos, não os fracassos. Conferências e periódicos destacam avanços, não a longa lista de compostos que nunca funcionaram. Isso cria uma lacuna entre a realidade do desenvolvimento de medicamentos e a história que é contada.

Por que o silêncio importa

Alguns pesquisadores argumentam que a falta de discussão aberta sobre o fracasso distorce o campo. Quando apenas ensaios bem-sucedidos são publicados, outros cientistas podem perder tempo repetindo os mesmos becos sem saída. Algumas instituições começaram a incentivar os pesquisadores a compartilhar resultados negativos, mas a prática ainda não é generalizada. Os cientistas entrevistados disseram que esperam que, ao falar abertamente sobre suas experiências, possam ajudar a normalizar a realidade de que a maioria dos candidatos a medicamentos não terá sucesso.

Para as comunidades que dependem de novos tratamentos, o que está em jogo é pessoal. Pacientes e famílias acompanham os resultados dos ensaios com esperança. Quando um medicamento falha, essa esperança pode se transformar em decepção. Mas os cientistas por trás desses ensaios carregam um tipo diferente de fardo. Eles conhecem a biologia, os dados, as longas noites no laboratório. E sabem que mesmo um ensaio fracassado pode ensinar algo valioso, se alguém estiver disposto a ouvir.

Fonte: Nature News

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