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Gravidade e Plasma Resolvem o Mistério das Listras de Zebra do Pulsar do Caranguejo

Gravidade Versus Plasma Resolve Mistério Espacial de 20 Anos Durante duas décadas, uma estrela morta a 6.500 anos-luz de distância tem enviado sinais de rádio que pareciam uma zebra cósmica. Os cientistas acabaram de decifrar o...

Gravidade Versus Plasma Resolve Mistério Espacial de 20 Anos

Durante duas décadas, uma estrela morta a 6.500 anos-luz de distância tem enviado sinais de rádio que pareciam uma zebra cósmica. Os cientistas acabaram de decifrar o código, e a resposta envolve uma luta fundamental entre duas das grandes forças do universo.

O Padrão Enigmático de um Pulsar

O Pulsar do Caranguejo, o coração em rápida rotação de uma explosão de supernova registrada por astrónomos chineses em 1054, emite um feixe de radiação semelhante a um farol. Desde 2005, os investigadores notaram que as suas ondas de rádio por vezes chegavam com um padrão bizarro: uma série de bandas brilhantes e uniformemente espaçadas nos dados, como listras numa zebra. A causa permaneceu um dos puzzles persistentes da astrofísica.

Agora, uma equipa da Universidade do Kansas tem uma resposta. Eles determinaram que o padrão é criado por um cabo-de-guerra celestial. Primeiro, nuvens de gás carregado, ou plasma, que rodeiam o pulsar, esticam e espalham as ondas de rádio. Depois, a imensa gravidade do próprio pulsar, que distorce o espaço-tempo ao seu redor, dobra essas mesmas ondas de volta, juntando-as. Onde estes dois efeitos se encontram, criam um padrão de interferência, amplificando o sinal em intervalos específicos e regulares. Isto produz o preciso efeito de "listras de zebra" observado da Terra.

Gravidade e Plasma, Um Dueto Inédito

Esta descoberta é significativa porque marca a primeira vez que os cientistas observaram a gravidade e o plasma a moldarem em conjunto um sinal que podemos detetar do espaço profundo. Já sabíamos que ambas as forças podem influenciar a luz independentemente, mas apanhá-las a trabalhar em concerto para criar uma assinatura clara e padronizada é um novo marco. "É como finalmente ouvir a harmonia numa música onde antes só conseguíamos distinguir as linhas separadas do baixo e da melodia", explicou o investigador principal.

As descobertas, que serão apresentadas numa grande cimeira de física ainda este ano, fornecem uma nova ferramenta para investigar ambientes extremos. Os pulsares são laboratórios naturais para estudar a matéria em condições impossíveis de replicar na Terra. Compreender como os seus sinais são esculpidos dá aos astrónomos uma lente mais afiada sobre a física em ação em torno destes objetos densos e poderosos.

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Um Sinal Mais Claro no Meio do Caos

A solução para o enigma do Pulsar do Caranguejo faz mais do que encerrar um processo. Demonstra que o universo frequentemente transmite os seus segredos em códigos complexos e em camadas. O que parecia uma simples anomalia era na verdade a assinatura de um diálogo fundamental entre a gravidade e a matéria. Para os cientistas nos Estados Unidos e em todo o mundo, é um lembrete de que, por vezes, é preciso ouvir a discussão entre duas forças para ouvir a história completa. O cosmos não está apenas a enviar ruído; está a ter uma conversa detalhada, e nós estamos finalmente a começar a entender a linguagem.

Fonte: Science Daily

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