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🌍 Benim Só na Terra 2 min

Máscaras sagradas tomam as ruas de Porto-Novo em festival no Benin

As ruas de Porto-Novo, capital do Benin, se encheram de figuras mascaradas e procissões rituais em julho de 2026, transformando a cidade em um palco vivo para tradições que remontam a séculos. Moradores e visitantes se reuniram...

As ruas de Porto-Novo, capital do Benin, se encheram de figuras mascaradas e procissões rituais em julho de 2026, transformando a cidade em um palco vivo para tradições que remontam a séculos. Moradores e visitantes se reuniram não como espectadores passivos, mas como participantes de cerimônias que misturam espiritualidade, arte e identidade comunitária.

Uma cidade se torna palco para espíritos ancestrais

Por vários dias, Porto-Novo sediou um festival onde as máscaras não são fantasias, mas objetos sagrados. Os performers usavam máscaras elaboradas de madeira e tecido, cada uma com seu próprio significado e história, e circulavam pelos bairros acompanhados de tambores e cantos. O evento atraiu multidões que seguiam as procissões de uma praça pública a outra, parando em pontos designados para rituais específicos.

Organizadores disseram que o festival tinha como objetivo preservar e mostrar o patrimônio imaterial da região, especialmente práticas ligadas ao Vodun, a religião tradicional que se originou no que hoje é Benin e Togo. Muitas das máscaras usadas nas cerimônias são mantidas em santuários familiares durante a maior parte do ano e só são retiradas em ocasiões especiais.

Por que os moradores locais compareceram em peso

Os moradores de Porto-Novo veem esses rituais como uma conexão viva com seus ancestrais, não como peças de museu. O festival deu às gerações mais jovens a chance de aprender as canções, passos de dança e protocolos que acompanham cada máscara. Os mais velhos da comunidade explicaram o simbolismo por trás das cores, movimentos e sons, transmitindo conhecimentos que poderiam se perder.

Artesãos locais também tiveram um papel central. Escultores de máscaras e fabricantes de fantasias exibiram seu trabalho, e alguns venderam peças menores para visitantes. O evento trouxe atividade econômica para bairros que normalmente não veem grandes multidões, com vendedores de comida e artesãos montando barracas ao longo das rotas das procissões.

Uma tradição que se recusa a desaparecer

O Benin tem visto um renascimento do interesse pelo Vodun e práticas culturais relacionadas nos últimos anos, após décadas de repressão durante o domínio colonial e o início da independência. O governo tem apoiado festivais como este como parte de um esforço mais amplo para recuperar e promover a identidade nacional. Porto-Novo, como capital política e centro histórico do Vodun, tem um significado especial para essas celebrações.

O festival não tinha como objetivo entreter turistas, embora muitos tenham comparecido. Seu propósito central era interno: reafirmar os laços comunitários por meio de rituais compartilhados. As máscaras, disseram os organizadores, não são apresentações para uma plateia. Elas são intermediárias entre os vivos e o mundo espiritual, e tratá-las com respeito é essencial.

Quando a última procissão terminou e as máscaras foram devolvidas aos seus lugares de descanso, Porto-Novo mais uma vez demonstrou que a tradição no Benin não é estática. Ela se move pelas ruas, respira com as batidas dos tambores e se adapta ao presente sem perder suas raízes.

Fonte: Africanews

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