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Missão IXPE da NASA pode confirmar teoria de 90 anos sobre magnetares

Uma missão da NASA projetada para estudar raios X do espaço pode ter acabado de confirmar uma teoria que persistiu por nove décadas. O Imaging X-ray Polarimetry Explorer, ou IXPE, reuniu dados que sugerem que magnetares, as...

Uma missão da NASA projetada para estudar raios X do espaço pode ter acabado de confirmar uma teoria que persistiu por nove décadas. O Imaging X-ray Polarimetry Explorer, ou IXPE, reuniu dados que sugerem que magnetares, as estrelas mais magnéticas conhecidas, se comportam exatamente como os cientistas previram nos anos 1930. Se confirmado, este seria a primeira prova direta de um conceito que moldou nossa compreensão desses objetos extremos.

Um quebra-cabeça de 90 anos finalmente ganha resposta

Magnetares são um tipo de estrela de nêutrons, o núcleo colapsado de uma estrela massiva que explodiu como supernova. Elas são minúsculas, com apenas cerca de 12 milhas de diâmetro, mas seus campos magnéticos são tão intensos que podem distorcer átomos e desviar raios X que passam por perto. Por décadas, astrofísicos teorizaram que esses campos magnéticos são tão fortes que afetam a forma como a luz e a matéria interagem ao redor da estrela. Mas ninguém jamais havia observado esse efeito diretamente.

É aí que entra o IXPE. Lançado em dezembro de 2021, o observatório espacial mede a polarização dos raios X, que é a direção em que as ondas de luz vibram. Ao estudar raios X de um magnetar chamado 4U 0142+61, localizado a cerca de 13.000 anos-luz de distância na constelação de Cassiopeia, a missão pode ter capturado o primeiro vislumbre de um fenômeno conhecido como birrefringência do vácuo.

O que os dados mostram e por que isso importa

A birrefringência do vácuo é um efeito quântico previsto em 1936 por dois físicos alemães, Werner Heisenberg e Hans Euler. Eles propuseram que, na presença de um campo magnético extremamente forte, o espaço vazio em si se torna polarizado, o que significa que ele pode levemente curvar ou desacelerar a luz dependendo da direção da luz. Esse efeito é incrivelmente sutil e, até agora, nunca havia sido observado em um ambiente natural.

O IXPE detectou que os raios X vindos do magnetar estavam polarizados de uma maneira que corresponde às previsões da birrefringência do vácuo. O ângulo de polarização estava alinhado com o campo magnético da estrela, e o grau de polarização era maior do que o esperado sem o efeito. Isso é exatamente o que a teoria prevê, e é a primeira vez que tal sinal foi visto de um magnetar.

A equipe por trás da descoberta, liderada por pesquisadores da Universidade de Pádua, na Itália, publicou seus resultados na revista Nature Astronomy. Eles alertam que mais observações são necessárias para descartar outras explicações, mas a correspondência é impressionante.

Uma nova janela para o mundo quântico

Para as pessoas que estudam esses objetos, o resultado é mais do que apenas a confirmação de uma ideia antiga. É uma demonstração de que o IXPE pode ver efeitos que antes eram considerados inobserváveis. A missão foi projetada para estudar a polarização de raios X de fontes cósmicas, e essa descoberta mostra que ela pode sondar a própria natureza do espaço e do tempo perto dos objetos mais extremos do universo.

O magnetar em questão, 4U 0142+61, é um dos cerca de 30 magnetares conhecidos em nossa galáxia. Foi descoberto em 1994 e tem sido estudado extensivamente desde então. Mas essa nova observação adiciona uma camada de detalhe que estava anteriormente ausente. Ela mostra que o campo magnético ao redor da estrela não é apenas uma característica estática, mas um participante ativo na forma como a luz viaja pela região.

Se o resultado se mantiver, será a primeira evidência direta de que a birrefringência do vácuo existe na natureza. Isso seria um marco importante para a física, confirmando uma previsão feita muito antes de alguém ter a tecnologia para testá-la. Também abriria novas questões sobre como campos magnéticos interagem com luz e matéria em condições extremas.

Por enquanto, a equipe está planejando observações de acompanhamento de outros magnetares para ver se o efeito é consistente. A teoria esperou 90 anos por uma possível confirmação, e pode não ter que esperar muito mais.

Fonte: NASA

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