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Campo Magnético de Magnetar Pode Provar que o Espaço Vazio Não é Vazio

Um tipo raro de estrela morta com um campo magnético trilhões de vezes mais forte que o da Terra pode ter acabado de revelar que o espaço vazio não é realmente vazio. Astrônomos que estudam o magnetar 1E 1547.0-5408 detectaram...

Um tipo raro de estrela morta com um campo magnético trilhões de vezes mais forte que o da Terra pode ter acabado de revelar que o espaço vazio não é realmente vazio. Astrônomos que estudam o magnetar 1E 1547.0-5408 detectaram uma estranha torção da luz que pode ser a primeira evidência direta da birrefringência do vácuo, um efeito quântico previsto por Werner Heisenberg na década de 1930. Se confirmado, isso provaria que até um vácuo perfeito está fervilhando de atividade invisível que pode alterar o caminho da luz.

Um Efeito Quântico Escondido na Atração Magnética de uma Estrela

A teoria de Heisenberg sugeria que o espaço vazio não é um vazio silencioso, mas um mar efervescente de 'partículas virtuais' que surgem e desaparecem. Normalmente, esse efeito é sutil demais para ser observado. Mas magnetares, que são estrelas de nêutrons com os campos magnéticos mais poderosos do universo, criam condições extremas o suficiente para tornar mensurável a influência do vácuo quântico sobre a luz.

Uma equipe internacional liderada pelo Dr. Marcus Lower, da Swinburne University of Technology, na Austrália, usou o Imaging X-ray Polarimetry Explorer (IXPE) da NASA para estudar o magnetar 1E 1547.0-5408. Eles também contaram com o telescópio de raios X NICER, a bordo da Estação Espacial Internacional, e com o Murriyang, o radiotelescópio Parkes da CSIRO, na Austrália. As observações revelaram que os raios X vindos dos polos do magnetar estavam polarizados de uma maneira que correspondia às previsões para a birrefringência do vácuo.

O que as Observações Mostraram

O magnetar gira uma vez a cada 2,1 segundos, e suas emissões de rádio e raios X atingem o pico em momentos diferentes durante essa rotação. Isso sugere que os raios X vêm de um 'ponto quente' deslocado do eixo magnético. A equipe mediu graus de polarização de raios X de 40% e 80% nos cones de emissão superior e inferior, respectivamente. Esses valores altos, juntamente com mudanças suaves e coerentes na polarização ao longo da rotação, fornecem o sinal mais definitivo até agora de birrefringência do vácuo.

Em termos mais simples, o campo magnético do magnetar é tão intenso que parece estar curvando o caminho da luz à medida que ela passa pelo espaço 'vazio' ao redor da estrela. Isso é exatamente o que Heisenberg previu: o vácuo deveria agir como um cristal, refratando a luz de maneira diferente dependendo de sua polarização.

As descobertas foram publicadas na revista Nature. Se a detecção se confirmar, isso daria aos cientistas uma nova ferramenta poderosa para sondar a natureza quântica do próprio espaço. Por enquanto, o comportamento estranho do magnetar oferece um vislumbre tentador de um universo onde até o nada tem estrutura.

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