Todo entardecer, um rio vivo de morcegos jorra da boca da Caverna Deer, em Bornéu malaio. O fluxo de milhões de morcegos pode levar mais de uma hora para sair completamente da caverna, criando uma fita retorcida de asas contra o céu que escurece. Esse evento noturno é uma das maiores emergências de morcegos da Terra.
O sistema de cavernas que abriga milhões de morcegos
A Caverna Deer fica dentro do Parque Nacional Gunung Mulu, no estado malaio de Sarawak, na ilha de Bornéu. A caverna é enorme. Sua câmara principal é grande o suficiente para caber vários campos de futebol. Cientistas estimam que entre 2 milhões e 3 milhões de morcegos se empoleiram dentro da caverna a qualquer momento. Os morcegos são em sua maioria morcegos de lábios enrugados, uma espécie conhecida por formar colônias massivas.
Por que moradores e turistas se reúnem ao entardecer
Pessoas de vilarejos próximos e visitantes do mundo todo vêm assistir aos morcegos saindo da caverna toda noite. Os morcegos voam em colunas densas que se torcem e espiralam enquanto seguem para a floresta para se alimentar de insetos. O espetáculo se tornou uma grande atração para o parque nacional, que é Patrimônio Mundial da UNESCO. Guias locais levam visitantes a plataformas de observação montadas perto da entrada da caverna. O parque também protege outras espécies selvagens e florestas tropicais antigas, mas a emergência dos morcegos é o evento principal para muitos que fazem a viagem.
O que os morcegos significam para a floresta
Os morcegos desempenham um papel crítico no ecossistema de Gunung Mulu. Eles comem enormes quantidades de insetos toda noite, ajudando a controlar populações de pragas. Seu guano, ou fezes, acumula-se no chão da caverna e sustenta uma complexa teia de organismos que vivem nela. Quando os morcegos saem da caverna, eles também espalham nutrientes pela floresta enquanto voam e defecam. Essa ciclagem de nutrientes ajuda a sustentar a floresta tropical ao redor do parque.
A emergência de milhões de morcegos da Caverna Deer não é apenas uma atração turística. É um lembrete da escala em que a natureza opera em Bornéu. O espetáculo continua toda noite, impulsionado pelas simples necessidades biológicas dos morcegos e pelos ritmos antigos da caverna.