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Fita Estelar Fantasmagórica Revela Matéria Escura Oculta Além da Via Láctea

Por bilhões de anos, um antigo aglomerado de estrelas vem se despedaçando lentamente, deixando uma faixa estreita e tênue através do espaço. Essa estrutura delicada agora se tornou a primeira corrente estelar do tipo já...

Por bilhões de anos, um antigo aglomerado de estrelas vem se despedaçando lentamente, deixando uma faixa estreita e tênue através do espaço. Essa estrutura delicada agora se tornou a primeira corrente estelar do tipo já encontrada além da Via Láctea, dando aos astrônomos uma nova maneira de investigar a matéria escura.

Uma equipe internacional, incluindo pesquisadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, avistou a fita fantasmagórica ao redor de uma galáxia distante. A descoberta, publicada em 12 de agosto na revista Nature, oferece uma nova ferramenta para estudar a substância invisível que compõe a maior parte da massa do universo.

Um Rastro Tênue Que Levou Bilhões de Anos Para Se Formar

Aglomerados globulares são bolas densas de estrelas mantidas unidas pela gravidade. Quando um desses aglomerados orbita sua galáxia hospedeira, a atração gravitacional da galáxia pode lentamente arrancar estrelas. Essas estrelas não se espalham aleatoriamente. Em vez disso, elas continuam se movendo quase ao longo do mesmo caminho, criando correntes longas e finas que registram as forças gravitacionais que experimentaram.

Astrônomos encontraram dezenas dessas correntes dentro da Via Láctea. Mas até agora, nenhuma havia sido detectada em outra galáxia. Essas estruturas são tão tênues que geralmente desaparecem contra o brilho de suas galáxias hospedeiras.

A corrente recém-identificada é a primeira corrente estelar de aglomerado globular já observada fora da nossa galáxia. Sua descoberta confirma uma previsão de longa data e abre uma nova janela para o estudo da matéria escura.

Lendo a Gravidade Através da Luz das Estrelas

Ao analisar a forma da corrente, os pesquisadores reconstruíram o campo gravitacional de sua galáxia hospedeira. Isso permitiu estimar quanta matéria escura circunda a galáxia e como ela está distribuída.

"As estrelas em uma corrente estelar viajam todas quase na mesma órbita, e essa órbita é moldada pela gravidade da galáxia", disse Tjitske Starkenburg, coautor do estudo da Northwestern. "Ao modelar essa gravidade, podemos estimar a massa total da galáxia. Já sabemos aproximadamente quanto dessa massa vem de matéria visível, como estrelas, então o resto deve ser matéria escura."

O estudo foi co-liderado por Julie Kiel Holm, da Universidade de Copenhague, e Sarah Pearson, da Universidade Técnica da Dinamarca. Starkenburg, especialista em astronomia extragaláctica, trabalha no Centro de Exploração e Pesquisa Interdisciplinar em Astrofísica da Northwestern.

A matéria escura continua sendo uma das maiores questões não respondidas na astrofísica. Ela não emite, absorve ou reflete luz, mas exerce gravidade e molda o movimento das galáxias. O novo método pode eventualmente ajudar os cientistas a mapear a matéria escura em muitas galáxias diferentes e em todo o universo.

A descoberta mostra que até as estruturas mais tênues do cosmos podem carregar informações profundas. Uma fita de estrelas, esticada ao longo de eras, agora serve como um traço mensurável das forças invisíveis que governam as galáxias.

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