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🇯🇵 Japão Descobertas Selvagens 3 min

Laboratório subterrâneo do Japão enfrenta questão de 100 mil anos do lixo nuclear

Nas profundezas das pastagens de renas e fazendas leiteiras da província mais ao norte do Japão, engenheiros trabalham em um problema que deixou perplexo todos os países com reator nuclear: como isolar resíduos radioativos por...

Nas profundezas das pastagens de renas e fazendas leiteiras da província mais ao norte do Japão, engenheiros trabalham em um problema que deixou perplexo todos os países com reator nuclear: como isolar resíduos radioativos por dezenas de milhares de anos. O Laboratório de Pesquisa Subterrânea de Horonobe, a cerca de 300 metros abaixo do solo em Hokkaido, é um dos poucos lugares na Terra onde essa questão é testada em escala real. Em maio, uma rara visita à instalação, operada pela Agência de Energia Atômica do Japão (JAEA), ofereceu um vislumbre dos experimentos que podem moldar o futuro da disposição de lixo nuclear no mundo.

Um laboratório construído em antigo leito marinho

Horonobe é o único dos dois laboratórios de pesquisa subterrânea do Japão ainda em operação. Seu equivalente, o laboratório de Mizunami, na província de Gifu, foi construído em rocha cristalina e fechado em 2022 após o término do arrendamento do terreno. Horonobe, por outro lado, está situado em rocha sedimentar da era Neogênica, formada a partir de depósitos de antigo leito marinho. Isso dá aos pesquisadores um ambiente geológico diferente para estudar, um que as autoridades dizem complementar o trabalho anterior em Mizunami.

O projeto começou em novembro de 2000, quando o governador de Hokkaido, o prefeito da cidade de Horonobe e o presidente da JAEA assinaram um acordo para permitir pesquisa geológica profunda no local. Nas duas décadas seguintes, trabalhadores escavaram poços e galerias que agora servem como campo de teste para como barreiras projetadas, água subterrânea e rocha circundante interagem ao longo do tempo. Essa combinação de salvaguardas naturais e artificiais é o mesmo sistema que, em teoria, protegeria um repositório real para resíduos radioativos de alto nível.

Testando barreiras que devem sobreviver a civilizações

Dois experimentos centrais estão em andamento em Horonobe. O primeiro, chamado de experimento de desempenho do sistema de barreira projetado em escala real, testa como tampões de bentonita, recipientes e materiais à base de cimento se comportam quando água e pressão são introduzidas ao longo de anos, não meses. O segundo, um experimento de transporte de solutos, examina como substâncias dissolvidas se movem através da rocha e dos materiais de barreira. Ambos são projetados para simular as condições de longo prazo que um repositório real enfrentaria.

A JAEA também está estudando como a rocha sedimentar circundante responde a distúrbios naturais, incluindo terremotos e mudanças no lençol freático, que poderiam comprometer o isolamento de um repositório. Esses testes são críticos porque nenhum país ainda construiu um repositório geológico permanente para resíduos nucleares de alto nível, e os dados de Horonobe podem informar decisões não apenas no Japão, mas globalmente.

Para o povo de Horonobe, uma pequena cidade que depende da agricultura e agora abriga essa instalação científica incomum, o laboratório representa tanto um fardo quanto uma oportunidade. O acordo que permitiu a construção do laboratório foi uma decisão local, e a cidade se tornou um ponto focal no longo e polêmico debate do Japão sobre o que fazer com os resíduos radioativos acumulados em suas usinas nucleares. A pesquisa aqui não é apenas sobre geologia; é sobre se uma comunidade pode confiar em uma instalação para guardar algo perigoso por mais tempo do que a história humana registrada.

Enquanto os experimentos continuam, Horonobe oferece um vislumbre raro e tangível dos desafios técnicos e sociais da disposição de lixo nuclear. As respostas encontradas neste laboratório subterrâneo, enterrado em rocha antiga, podem um dia determinar como o mundo lida com o subproduto mais persistente da era nuclear.

Fonte: The Diplomat

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