Uma mamografia de rotina, já uma ferramenta padrão para o rastreio do cancro da mama, também pode conter pistas sobre a saúde cardíaca de uma mulher. Uma nova investigação sugere que a inteligência artificial pode analisar essas imagens para detetar sinais de doença cardíaca, potencialmente transformando um exame comum num teste de rastreio de dupla finalidade. A descoberta pode ser especialmente importante para as mulheres, cuja doença cardíaca muitas vezes não é diagnosticada até estar avançada.
Um segundo olhar sobre um exame familiar
O estudo, publicado na revista Circulation, envolveu mais de 40.000 mulheres nos Estados Unidos que fizeram mamografias entre 2013 e 2020. Os investigadores usaram um algoritmo de IA para examinar as imagens em busca de calcificações nas artérias mamárias, uma condição que muitas vezes é visível nas mamografias, mas não é rotineiramente relatada. Essas calcificações são conhecidas por estarem associadas a um risco aumentado de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral e outros eventos cardiovasculares.
A IA foi capaz de identificar mulheres com essas calcificações arteriais com um alto grau de precisão. Quando os investigadores cruzaram os resultados da IA com os registos médicos das mulheres, descobriram que aquelas com calcificações detetadas eram significativamente mais propensas a ter sofrido um evento cardiovascular nos anos seguintes. A associação manteve-se mesmo após considerar fatores de risco tradicionais como pressão alta, diabetes e tabagismo.
Porque isto é importante para a saúde das mulheres
A doença cardíaca é a principal causa de morte entre as mulheres nos Estados Unidos, mas muitas vezes é sub-reconhecida e subtratada. As avaliações de risco padrão podem não detetar mulheres que são consideradas de baixo risco, mas que ainda têm danos vasculares subjacentes. As mamografias, que milhões de mulheres fazem regularmente, oferecem uma oportunidade única para detetar esses riscos ocultos sem exames adicionais ou exposição à radiação.
O autor principal do estudo, Dr. John Smith, um cardiologista de um importante centro médico, disse que os resultados sugerem que as mamografias podem servir como uma "janela para o coração". Ele notou que a ferramenta de IA poderia ser integrada nos fluxos de trabalho existentes de mamografia, sinalizando mulheres que poderiam beneficiar de uma avaliação cardiovascular adicional. Os investigadores enfatizaram que a IA não pretende substituir os rastreios cardíacos tradicionais, mas complementá-los, especialmente para mulheres que, de outra forma, não seriam sinalizadas como de alto risco.
Um passo em direção à prevenção precoce
As implicações são significativas. Se a IA for adotada na prática clínica, pode ajudar a identificar mulheres em risco anos antes de apresentarem sintomas, permitindo intervenções mais precoces, como mudanças no estilo de vida ou medicação. Os autores do estudo pediram mais investigação para confirmar os resultados em populações diversas e para determinar a melhor forma de implementar a tecnologia em ambientes do mundo real.
Por agora, o estudo oferece um vislumbre promissor de como os dados médicos existentes podem ser reaproveitados para melhorar os resultados de saúde. Também destaca o papel crescente da inteligência artificial na medicina, não como substituto dos médicos, mas como uma ferramenta para descobrir padrões que o olho humano pode não ver. À medida que a investigação avança, a esperança é que uma simples mamografia possa um dia fazer dupla função, protegendo as mulheres de duas das ameaças de saúde mais sérias que enfrentam.