Um humilde musgo do deserto encontrado na região de Xinjiang, na China, pode suportar as condições brutais de Marte, de acordo com uma nova pesquisa da Academia Chinesa de Ciências. A planta, chamada Syntrichia caninervis, sobreviveu a frio extremo, alta radiação e baixa pressão atmosférica em testes de laboratório projetados para imitar a superfície do Planeta Vermelho.
Um musgo que ri do frio extremo e da radiação
Os pesquisadores submeteram o musgo a uma série de simulações severas. Eles o congelaram a menos 80 graus Celsius por cinco anos. Também o armazenaram em nitrogênio líquido a quase menos 196 graus Celsius por um mês. Após o descongelamento, o musgo se regenerou sem qualquer tratamento especial. A equipe também bombardeou a planta com radiação gama em doses que matariam a maioria dos seres vivos. O musgo sobreviveu e voltou a crescer.
Por que isso importa para futuras colônias espaciais
A Syntrichia caninervis já é conhecida por sobreviver nos desertos mais hostis da Terra. Mas a equipe chinesa queria ver se ela conseguiria lidar com o pacote completo de Marte. Eles colocaram o musgo em uma câmara de simulação que recriava a atmosfera, as variações de temperatura e a radiação ultravioleta do planeta. O musgo não apenas sobreviveu, mas também manteve sua atividade fotossintética. Os cientistas dizem que isso o torna um forte candidato para ser a primeira planta cultivada em Marte.
O que os moradores locais de Xinjiang já sabiam
Para as pessoas que vivem nas terras secas de Xinjiang, este musgo é uma visão familiar. Ele cresce em rochas e solo em alguns dos lugares mais áridos da Terra. Pastores e agricultores locais há muito o veem como um sobrevivente resistente. Agora, cientistas chineses dizem que essa resistência pode ajudar a humanidade a dar os primeiros passos para viver em outro planeta. A pesquisa foi liderada por especialistas do Instituto de Ecologia e Geografia de Xinjiang e outras instituições chinesas.
Uma planta pequena com um grande futuro
O estudo não afirma que os humanos podem viver em Marte amanhã. Mas mostra que um musgo simples pode lidar com as piores condições do planeta. Se esta planta puder ser enviada antes das missões humanas, ela pode ajudar a produzir oxigênio, estabilizar o solo e apoiar a agricultura futura. A Academia Chinesa de Ciências ainda não anunciou planos de enviar o musgo para o espaço. Mas a pesquisa abre uma porta que muitos achavam que estava trancada.