Uma equipe de cientistas no Equador fez recentemente algo que ninguém havia feito antes no país: marcaram uma tartaruga-de-couro do Pacífico Oriental nidificante com um rastreador por satélite. A tartaruga, chamada Lucero, representa uma oportunidade rara de estudar uma das populações de tartarugas marinhas mais ameaçadas do planeta.
Uma primeira vez para o Equador, uma tábua de salvação para uma espécie
Numa praia chamada Playa Pajonal, no Equador, pesquisadores do The Leatherback Project e parceiros locais encontraram Lucero enquanto ela vinha à costa para botar ovos. As tartarugas-de-couro do Pacífico Oriental diminuíram mais de 90% nas últimas três décadas, segundo cientistas. Acredita-se que restem menos de 1.000 fêmeas adultas. Marcar uma fêmea nidificante no Equador nunca havia sido feito antes, tornando o rastreamento de Lucero um marco para os esforços de conservação na região.
Para onde Lucero vai, a esperança segue
Callie Veelenturf, bióloga marinha e fundadora do The Leatherback Project, liderou o esforço de marcação junto com a pesquisadora equatoriana Kerly Briones. A equipe prendeu o transmissor por satélite ao casco de Lucero depois que ela terminou de nidificar e a soltou de volta ao oceano. O dispositivo enviará dados sobre seus movimentos, áreas de alimentação e rotas de migração pelos próximos meses. Comunidades locais na costa equatoriana há muito compartilham as praias com tartarugas nidificantes, e muitos moradores dependem de oceanos saudáveis para a pesca e o turismo. Para eles, a jornada de Lucero não é apenas uma curiosidade científica. É um sinal de que seu litoral ainda importa para uma espécie à beira da extinção.
Por que esta tartaruga importa muito além de uma praia
A tartaruga-de-couro do Pacífico Oriental é geneticamente distinta de outras populações de tartarugas-de-couro. Ela nidifica apenas em praias do México ao Peru e se alimenta nas águas ricas do Pacífico Sul. Ao rastrear Lucero, os cientistas esperam identificar habitats críticos que precisam de proteção contra redes de pesca, tráfego de navios e poluição por plástico. Os dados também podem informar políticas internacionais que regulam o alto-mar, onde essas tartarugas passam a maior parte de suas vidas. Cada sinal do transmissor de Lucero adiciona uma peça a um quebra-cabeça que conservacionistas tentam resolver há anos.
Lucero agora está nadando em algum lugar do Pacífico, carregando um pequeno dispositivo que conta uma grande história. Seu caminho será seguido por pesquisadores, pescadores e crianças em idade escolar no Equador que nunca viram uma tartaruga-de-couro de perto. A sobrevivência da tartaruga não é garantida, mas, pela primeira vez, os cientistas têm a chance de aprender exatamente o que ela precisa para conseguir.