Uma equipe de cientistas chineses cultivou o marcapasso natural do coração em uma placa de laboratório, levantando a possibilidade de que pacientes com ritmos cardíacos irregulares possam um dia receber um substituto biológico em vez de um dispositivo eletrônico.
Pesquisadores do Instituto de Biomedicina e Saúde de Guangzhou, parte da Academia Chinesa de Ciências, criaram o nó sinoatrial, um aglomerado de células que define o ritmo do coração, usando células-tronco. O nó sinoatrial às vezes é chamado de maestro do coração porque gera os impulsos elétricos que dizem ao coração quando bater.
Um pequeno aglomerado de células que mantém o ritmo
O nó sinoatrial é uma estrutura pequena localizada na câmara superior direita do coração. Quando ele falha, o coração pode bater muito devagar, muito rápido ou de forma irregular. Milhões de pessoas no mundo dependem de marcapassos eletrônicos para corrigir esses problemas. Mas os marcapassos têm desvantagens. Eles exigem cirurgia para implantar, baterias que precisam ser trocadas e podem ser vulneráveis a infecções ou interferências.
A equipe de Guangzhou queria ver se conseguia construir uma alternativa biológica. Eles começaram com células-tronco humanas e as guiaram por uma série de etapas químicas para se tornarem células do nó sinoatrial. O processo levou cerca de 26 dias. No final, as células estavam batendo espontaneamente, exatamente como as reais.
Por que isso é importante para pessoas com doenças cardíacas
Os cientistas então testaram o tecido cultivado em laboratório em ratos. Eles implantaram as células nos corações de ratos cujos próprios nós sinoatriais haviam sido desativados. As células transplantadas se integraram ao tecido cardíaco dos ratos e começaram a conduzir os batimentos cardíacos. Os corações dos animais retomaram um ritmo normal.
Para comunidades locais na China, onde a doença cardíaca é uma das principais causas de morte, a perspectiva de um marcapasso biológico é significativa. Marcapassos eletrônicos são eficazes, mas caros e exigem manutenção ao longo da vida. Um remendo vivo de células que pudesse ser implantado uma vez e durar a vida inteira seria um grande avanço. A pesquisa ainda está em estágio inicial, e testes em humanos provavelmente estão a anos de distância. Mas o trabalho mostra que construir um substituto para o maestro do coração não é mais ficção científica.
Um passo em direção à medicina regenerativa
O estudo, publicado na revista Cell Stem Cell, faz parte de um esforço mais amplo na China para desenvolver terapias regenerativas para falência de órgãos. O país investiu pesadamente em pesquisa com células-tronco e aplicações clínicas. Se essa abordagem se mostrar segura e eficaz em humanos, poderá mudar a forma como os médicos tratam as arritmias, os batimentos cardíacos irregulares que afetam dezenas de milhões de pessoas globalmente.
A equipe de Guangzhou agora está trabalhando para aumentar a produção das células do nó sinoatrial e testá-las em animais maiores. Eles também precisam garantir que as células não se transformem em tumores ou desencadeiem rejeição imunológica. Esses são obstáculos que toda terapia com células-tronco precisa superar. Mas o fato de um marcapasso biológico ter sido cultivado e testado em um animal vivo é um marco que aproxima a ideia do consultório médico.