O Telescópio Espacial James Webb resolveu milhões de estrelas individuais em uma única galáxia, um feito que teria sido impossível há apenas alguns anos. O alvo foi Messier 82, uma galáxia a 12 milhões de anos-luz de distância conhecida por sua taxa furiosa de formação estelar. Astrônomos nos Estados Unidos usaram os instrumentos infravermelhos do Webb para enxergar através da poeira e do gás que antes escondiam a maior parte da população estelar da galáxia.
Uma galáxia que faz estrelas mais rápido que quase qualquer outra
Messier 82, também chamada de Galáxia do Charuto por causa de sua forma alongada, é o que os cientistas chamam de galáxia starburst. Ela produz novas estrelas a uma taxa cerca de 10 vezes maior que a Via Láctea. A galáxia fica na constelação da Ursa Maior e é estudada há décadas, mas suas densas nuvens de poeira sempre bloquearam uma visão clara das estrelas em seu interior. As capacidades infravermelhas do Webb cortaram essa névoa, permitindo que os pesquisadores contassem estrelas que antes eram invisíveis.
O que as novas imagens realmente mostram
O telescópio Webb capturou a galáxia em alta resolução, revelando estruturas que parecem plumas de gás em formato de ampulheta disparando de cima e de baixo do centro brilhante em forma de disco. Perto do núcleo da galáxia, as plumas aparecem amarelas, indicando áreas de gás hidrogênio ionizado observadas pelo Telescópio Espacial Hubble. Mais longe, as plumas ficam mais avermelhadas. A imagem composta combina dados do Webb e do Hubble, dando aos cientistas uma visão mais completa de como a atividade starburst está moldando a galáxia.
Por que os astrônomos se importam em contar estrelas em uma galáxia
Para pesquisadores que estudam como as galáxias evoluem, saber exatamente quantas estrelas existem em uma região starburst é fundamental. A Galáxia do Charuto oferece um laboratório próximo para entender o que acontece quando uma galáxia passa por uma rápida explosão de formação estelar. Ao identificar milhões de estrelas individualmente, os cientistas podem modelar melhor os processos que impulsionam a mudança galáctica. Os dados também ajudam a esclarecer como estrelas massivas influenciam seus arredores através de radiação e fluxos de gás.
Esta descoberta não reescreve a astronomia da noite para o dia, mas dá aos pesquisadores uma ferramenta mais afiada para fazer perguntas melhores. A capacidade de contar milhões de estrelas em uma única galáxia abre uma nova janela para entender como galáxias como esta vivem e morrem.