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Vida pode depender de um ponto ideal cósmico para o fluxo de líquidos, diz estudo

O universo pode ser ajustado não apenas para estrelas e galáxias, mas para o simples ato de líquidos fluírem dentro de uma célula. Um novo estudo da Queen Mary University of London sugere que as constantes fundamentais da física...

O universo pode ser ajustado não apenas para estrelas e galáxias, mas para o simples ato de líquidos fluírem dentro de uma célula. Um novo estudo da Queen Mary University of London sugere que as constantes fundamentais da física estão dentro de uma faixa extremamente estreita que permite que água, sangue e outros fluidos biológicos se comportem de maneiras essenciais para a vida. Mesmo uma pequena mudança nessas constantes poderia tornar o sangue muito grosso, a água muito pegajosa ou o movimento celular impossível.

Uma ligação oculta entre física e biologia

Pesquisadores liderados pelo físico Kostya Trachenko basearam-se em trabalhos anteriores que mostraram que a viscosidade dos líquidos, a propriedade que determina quão facilmente um líquido flui, está diretamente ligada às constantes físicas fundamentais. Esse trabalho anterior estabeleceu um limite inferior para o quão fluidos os líquidos podem ser. O novo estudo, publicado na Science Advances, estende a ideia para a biologia. Ele pergunta se as mesmas regras físicas que moldam o cosmos também determinam silenciosamente se as células podem funcionar.

A vida depende do movimento em escalas microscópicas. Nutrientes precisam viajar através das células, proteínas precisam se dobrar corretamente e moléculas difundem-se constantemente em ambientes aquosos. Tudo isso depende da viscosidade. De acordo com os pesquisadores, o universo parece operar dentro de uma janela surpreendentemente estreita e favorável à vida, onde a viscosidade e a difusão permanecem adequadas para a vida. Se as constantes que governam a física mudassem apenas alguns por cento, os líquidos essenciais para a biologia poderiam se tornar dramaticamente mais grossos ou mais finos.

O que uma mudança de alguns por cento significaria

A equipe diz que as consequências iriam muito além da água potável ou dos oceanos. O sangue humano, os fluidos celulares e a química que alimenta a vida dependem todos de propriedades de fluxo cuidadosamente equilibradas. Se a água fosse tão viscosa quanto o alcatrão, a vida não existiria em sua forma atual ou não existiria de forma alguma. O mesmo se aplica além da água, então todas as formas de vida que usam o estado líquido para funcionar seriam afetadas. Qualquer mudança nas constantes fundamentais, incluindo um aumento ou diminuição, seria igualmente uma má notícia para o fluxo e para a vida baseada em líquidos. A janela é bastante estreita: por exemplo, a viscosidade do sangue se tornaria muito grossa ou muito fina para o funcionamento do corpo com apenas alguns por cento de mudança em algumas constantes fundamentais.

Um equilíbrio delicado nas leis da natureza

O estudo sugere que as constantes fundamentais do universo estão dentro de um ponto ideal incrivelmente estreito que permite que os líquidos fluam adequadamente dentro das células vivas. Essa descoberta liga as leis mais profundas da física à existência da vida em si. A pesquisa foi conduzida na Queen Mary University of London e publicada em 2023. Ela se baseia em trabalhos anteriores de Trachenko e colegas que estabeleceram um limite inferior para a viscosidade dos líquidos com base em constantes fundamentais.

A descoberta não prova que o universo foi projetado para a vida, nem afirma que a vida é rara ou comum em outros lugares. Ela simplesmente mostra que as constantes físicas que observamos parecem estar finamente equilibradas de uma forma que torna a vida baseada em líquidos possível. Se esse equilíbrio é coincidência, necessidade ou outra coisa, permanece uma questão em aberto.

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