Saltar para o conteúdo

Agricultores quenianos trocam esterco por fogões limpos a biogás

No Quênia rural, agricultores cozinham usando gás feito de esterco de vaca, substituindo fogueiras de lenha por uma fonte de combustível que custa quase nada para produzir. A mudança está economizando dinheiro das famílias e...

No Quênia rural, agricultores cozinham usando gás feito de esterco de vaca, substituindo fogueiras de lenha por uma fonte de combustível que custa quase nada para produzir. A mudança está economizando dinheiro das famílias e melhorando a saúde respiratória em lares onde o fogo aberto antes enchia os cômodos de fumaça perigosa.

Um problema fedorento vira fonte constante de combustível

Pequenos agricultores no interior do Quênia dependem há muito tempo de lenha e carvão para cozinhar. Ambos são caros e prejudiciais. A fumaça da lenha causa doenças pulmonares. O carvão contribui para o desmatamento. Mas um número crescente de famílias está instalando biodigestores simples que capturam metano do esterco animal e o canalizam diretamente para fogões de cozinha.

O processo é direto. Os agricultores coletam esterco de vaca, misturam com água e colocam em um tanque subterrâneo selado. Bactérias decompõem os resíduos, liberando gás metano. Esse gás viaja por um tubo até um queimador que parece um fogão a gás comum. O resíduo líquido vira fertilizante para as plantações.

Quem está por trás da mudança e por que os locais apoiam

Organizações como o Programa de Biogás do Quênia ajudaram a instalar dezenas de milhares desses sistemas em todo o país. O programa recebe apoio do governo holandês e trabalha com bancos locais para oferecer empréstimos acessíveis. Um biodigestor doméstico típico custa cerca de 50 mil xelins quenianos, aproximadamente 380 dólares. Os agricultores podem pagar em parcelas.

As comunidades locais abraçaram a tecnologia porque ela resolve vários problemas ao mesmo tempo. As mulheres não passam mais horas coletando lenha. As crianças respiram ar mais limpo. As famílias economizam dinheiro que gastariam com carvão ou querosene. Uma agricultora no condado de Kiambu disse a repórteres que sua família costumava comprar dois sacos de carvão por mês. Agora não compram nenhum.

Uma mudança silenciosa na vida diária

O movimento do biogás no Quênia ainda é pequeno comparado ao número de famílias que ainda usam lenha, mas está crescendo de forma constante. Agricultores que adotam os sistemas frequentemente se tornam defensores, mostrando aos vizinhos como converter resíduos animais em combustível confiável para cozinhar. Os biodigestores exigem manutenção mínima e podem produzir gás por várias horas por dia com apenas algumas vacas.

O Quênia tem uma das maiores populações de gado da África. Bovinos, cabras e ovelhas produzem esterco que a maioria dos agricultores tratava como lixo ou usava como fertilizante de baixa qualidade. Agora esse mesmo esterco alimenta fogões, acende lampiões e, em alguns casos, opera pequenos motores para bombas d'água.

Esta não é uma tecnologia futurista. É um sistema simples e comprovado que transforma um problema cotidiano da fazenda em uma solução doméstica. A mudança não exige nova infraestrutura ou importação de combustível estrangeiro. Ela depende do que os agricultores já têm: animais, água e disposição para tentar algo diferente.

Fonte: AllAfrica

Resumo Diário

As 5 histórias mais interessantes, todas as manhãs. Grátis.