Um fungo de ocorrência natural foi encontrado para interromper o avanço da lagarta-do-cartucho, uma praga que devastou fazendas em toda a África desde que apareceu no continente em 2016. Pesquisadores no Quênia descobriram o fungo em amostras de solo e o testaram contra a praga, com resultados impressionantes: matou as lagartas em poucos dias e também impediu que se reproduzissem. A descoberta aumenta as esperanças de uma alternativa biológica aos pesticidas químicos, que se mostraram caros e cada vez mais ineficazes.
Um assassino silencioso no solo
O fungo, identificado como uma cepa de Metarhizium anisopliae, foi isolado do solo em um campo de milho no oeste do Quênia. Em testes de laboratório, infectou e matou larvas da lagarta-do-cartucho em cinco dias. Também reduziu a eclosão dos ovos e causou deformidades nos adultos sobreviventes, cortando a próxima geração de pragas. A pesquisa foi liderada por cientistas do Centro Internacional de Fisiologia e Ecologia de Insetos (icipe) em Nairóbi, em parceria com a Universidade de Nairóbi e a Organização de Pesquisa Agrícola e Pecuária do Quênia.
Por que os agricultores estão desesperados por uma nova arma
A lagarta-do-cartucho, nativa das Américas, se espalhou para mais de 40 países africanos, alimentando-se de milho, sorgo e outras culturas básicas. No Quênia, pequenos agricultores relataram perdas de até metade de sua colheita de milho em surtos graves. Muitos recorreram a pesticidas sintéticos, mas a praga desenvolveu resistência, e os produtos químicos são caros e perigosos de aplicar sem equipamento de proteção. Agentes agrícolas locais dizem que o fungo pode ser formulado em spray ou pó que os agricultores possam usar com segurança e baixo custo, sem prejudicar insetos benéficos ou o meio ambiente.
Uma solução local com promessa global
A descoberta é particularmente significativa porque o fungo é nativo da África, o que significa que já está adaptado às condições locais e pode ser produzido em massa com métodos simples. Os pesquisadores agora testam como formulá-lo em um produto estável que sobreviva ao transporte e armazenamento no calor tropical. Se bem-sucedido, pode ser distribuído por todo o continente, oferecendo uma ferramenta sustentável na luta contra uma praga que ameaça o suprimento de alimentos de milhões. O estudo foi publicado na revista Biological Control, e a equipe busca financiamento para testes de campo em vários países africanos.
Isso não é uma bala de prata, mas é uma rara notícia boa para agricultores que viram a lagarta marchar por seus campos com poucas defesas eficazes. O fungo oferece uma maneira de revidar que está enraizada no ecossistema local, não dependente de produtos químicos importados. À medida que as mudanças climáticas e o comércio global continuam a espalhar pragas para novas regiões, soluções baseadas na natureza podem se tornar cada vez mais vitais. Por enquanto, a esperança é que esse pequeno fungo possa fazer o que os pesticidas não conseguiram: dar aos agricultores africanos uma chance real de proteger suas colheitas.