Uma árvore em um canto remoto da Zâmbia pode ser o organismo vivo mais antigo já documentado na Terra. Cientistas acreditam que o espécime gigante, um tipo de baobá, pode ter mais de 6.000 anos. Isso a tornaria mais velha que o atual recordista, um pinheiro bristlecone na Califórnia chamado Methuselah, por quase 1.500 anos.
Um gigante escondido à vista
A árvore foi encontrada no Parque Nacional Kafue, uma vasta área protegida no centro da Zâmbia. Pesquisadores da Universidade da Zâmbia e da Universidade de Oxford estavam fazendo um levantamento de árvores antigas quando encontraram o baobá. Seu tronco mede mais de 22 metros de circunferência. A equipe usou datação por radiocarbono em amostras retiradas das partes mais antigas da árvore. Os resultados apontaram para uma idade de cerca de 6.000 anos, com uma margem de erro de alguns séculos.
Por que os moradores locais já suspeitavam de algo especial
Pessoas que vivem perto do parque conheciam a árvore há gerações. Eles a chamavam de "Grande Baobá" e contavam histórias sobre seu tamanho e idade. Alguns anciãos diziam que seus avós falavam da árvore como já antiga. Para as comunidades locais, o baobá era um ponto de referência, uma fonte de sombra e um local para encontros. Mas ninguém jamais havia medido sua idade cientificamente. As novas descobertas confirmaram o que muitos já acreditavam em silêncio: a árvore era extraordinariamente velha.
O que isso significa para a ciência e a história
A descoberta adiciona um novo capítulo ao estudo dos baobás, conhecidos por sua longevidade, mas raramente ultrapassando 2.000 anos. Esta árvore em particular teria sido uma muda quando o Saara ainda era verde e as primeiras cidades estavam surgindo na Mesopotâmia. Seus anéis e teor de carbono oferecem uma rara janela para os padrões climáticos ao longo de milênios. Os pesquisadores planejam continuar estudando a árvore sem prejudicá-la, usando técnicas não invasivas. O governo da Zâmbia já tomou medidas para aumentar a proteção ao redor do local.
Uma árvore que resistiu por 60 séculos não é apenas um recorde. É um arquivo vivo do passado de um planeta, ainda enraizada no mesmo solo onde começou.