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China paga milhares para filmar tarefas domésticas e treinar robôs

A China está pagando milhares de pessoas para dobrar roupas, abrir portas e rosquear tampas em garrafas. O objetivo não é terceirizar o trabalho doméstico, mas treinar a próxima geração de robôs humanoides. Empresas de tecnologia...

A China está pagando milhares de pessoas para dobrar roupas, abrir portas e rosquear tampas em garrafas. O objetivo não é terceirizar o trabalho doméstico, mas treinar a próxima geração de robôs humanoides.

Empresas de tecnologia na China estão contratando moradores e operários de fábrica para se gravarem realizando tarefas manuais do dia a dia. Esses vídeos se tornam a matéria-prima que ensina os robôs a se mover, agarrar e interagir com o mundo físico. A abordagem é uma resposta direta à escassez global de dados de treinamento de alta qualidade para máquinas humanoides.

Um esforço nacional de coleta de vídeos

Empresas como a gigante do comércio eletrônico JD.com estão liderando o movimento. Elas recrutaram pessoas em todo o país para se filmarem fazendo tarefas domésticas e trabalho repetitivo de fábrica. Uma participante contou a repórteres que passou horas se gravando dobrando camisas e separando itens em casa. Os vídeos são então alimentados em modelos de aprendizado de máquina que ajudam os robôs a aprender por imitação.

O trabalho é monótono, mas essencial. Os robôs precisam de milhares de exemplos de uma única ação para executá-la de forma confiável. Ao pagar pessoas comuns para fornecer essas imagens, as empresas chinesas estão construindo grandes conjuntos de dados mais rápido do que os concorrentes que dependem de demonstrações em laboratório.

Chão de fábrica vira sala de aula

Em ambientes industriais, a coleta de dados é ainda mais estruturada. Os operários de fábrica são solicitados a realizar suas tarefas habituais enquanto usam trajes de captura de movimento ou são filmados de vários ângulos. Essas gravações capturam não apenas as etapas visuais, mas também a força, o ângulo e o tempo necessários para cada movimento.

Trabalhadores locais em polos industriais se tornaram treinadores de robôs em tempo parcial sem sair de seus empregos. Para eles, a renda extra é um complemento bem-vindo. Para as empresas, é uma maneira barata e escalável de gerar o volume de dados de que os robôs humanoides precisam antes de serem implantados em armazéns, cozinhas ou residências.

Por que isso importa na China

A China estabeleceu metas ambiciosas para robótica e inteligência artificial. Os robôs humanoides são vistos como uma prioridade estratégica, com o governo e o setor privado investindo pesadamente em desenvolvimento. Mas treinar essas máquinas tem se mostrado difícil. Robôs que parecem humanos ainda têm dificuldades com tarefas físicas básicas que os humanos consideram triviais.

Ao transformar milhares de cidadãos em coletores de dados, as empresas de tecnologia chinesas estão tentando fechar essa lacuna. A estratégia reflete um padrão mais amplo na indústria de tecnologia do país: usar mão de obra humana em larga escala para resolver problemas que outras nações abordam com equipes menores e mais especializadas.

Para as pessoas envolvidas, o trabalho é simples. Elas seguem suas rotinas diárias ou turnos de fábrica enquanto as câmeras rodam. As imagens que produzem podem um dia ajudar robôs a cozinhar, limpar e montar produtos. Mas, por enquanto, são os humanos que estão aprendendo pelas máquinas.

Fonte: Rest of World

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