Uma equipe de pesquisadores na China encontrou uma maneira de transformar resíduos plásticos em combustível de avião usando um catalisador barato, um avanço que pode ajudar a resolver dois problemas ao mesmo tempo: o que fazer com montanhas de plástico descartado e como produzir combustível de aviação mais limpo.
O método, descrito em um novo estudo, funciona em temperaturas mais baixas do que tentativas anteriores e usa um material industrial comum como catalisador. Isso torna o processo muito mais acessível e prático para uso no mundo real.
Um catalisador feito de materiais comuns faz o trabalho pesado
A equipe de pesquisa, baseada em várias universidades e institutos chineses, desenvolveu um catalisador feito de rutênio e um tipo de zeólita, um mineral poroso já amplamente usado no refino de petróleo. Quando misturado com resíduos plásticos e aquecido a cerca de 220 graus Celsius, o catalisador quebra as longas cadeias de polímeros dos plásticos em moléculas de hidrocarbonetos mais curtas, do tipo encontrado no combustível de avião.
Métodos anteriores exigiam temperaturas acima de 400 graus Celsius ou usavam metais preciosos caros. A nova abordagem reduz significativamente tanto o custo de energia quanto o custo dos materiais. A equipe relatou que quase 90 por cento da massa plástica foi convertida em hidrocarbonetos de qualidade combustível.
Por que isso importa para comunidades afogadas em plástico
Os experimentos foram realizados em laboratórios na China, um país que produz e consome enormes quantidades de plástico. Como muitas nações, a China luta contra a poluição plástica. Aterros sanitários se enchem. As taxas de reciclagem permanecem baixas. Muito plástico acaba em rios e oceanos.
Autoridades ambientais locais e empresas de gestão de resíduos há muito procuram maneiras melhores de lidar com resíduos plásticos. A incineração libera gases nocivos. A reciclagem mecânica degrada a qualidade do plástico com o tempo. A reciclagem química, que quebra o plástico em seus blocos de construção moleculares, tem sido vista como uma alternativa promissora, mas era muito cara para ser escalada.
Este novo método pode mudar esse cálculo. Como o catalisador é barato e o processo funciona com calor relativamente baixo, os pesquisadores acreditam que ele poderia ser implantado em instalações industriais existentes sem grandes reformas. Isso facilitaria a adoção da tecnologia por cidades e empresas.
O estudo foi publicado em um periódico revisado por pares. Os pesquisadores disseram que o próximo passo é testar o processo com resíduos plásticos misturados do mundo real, não apenas as amostras limpas de laboratório usadas nos experimentos. Eles também querem ver se o combustível atende aos padrões da indústria da aviação.
Se a tecnologia for escalada, ela daria ao mundo uma maneira de transformar um poluente em um recurso. O resíduo plástico não seria mais um beco sem saída. Poderia se tornar o ponto de partida para um voo.