Um computador quântico na China realizou um cálculo em segundos que levaria bilhões de anos ao supercomputador clássico mais rápido do mundo. A máquina, chamada Jiuzhang 4.0, é a versão mais recente de um computador quântico fotônico desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia da China em Hefei.
Uma diferença de velocidade maior do que qualquer outra antes
A equipe executou um problema de amostragem conhecido como amostragem bosônica gaussiana. O Jiuzhang 4.0 completou a tarefa em alguns segundos. Os pesquisadores estimaram que o mesmo problema levaria cerca de 2,4 bilhões de anos para um supercomputador clássico. Essa diferença é muito maior do que as versões anteriores do Jiuzhang alcançaram. O recordista anterior, Jiuzhang 3.0, era cerca de 10 quatrilhões de vezes mais rápido que uma máquina clássica. A nova versão é aproximadamente 1 quatrilhão de vezes mais rápida que sua antecessora.
Como a máquina funciona e quem a construiu
O Jiuzhang 4.0 usa fótons, ou partículas de luz, para realizar cálculos. Diferente dos computadores convencionais que dependem de chips de silício e sinais elétricos, este sistema envia fótons através de uma rede de espelhos, divisores de feixe e outros componentes ópticos. Os fótons interferem uns nos outros de maneiras que codificam os resultados de uma computação. A máquina foi construída por uma equipe liderada por Pan Jianwei e Lu Chaoyang na Academia Chinesa de Ciências. Os pesquisadores publicaram suas descobertas na revista Physical Review Letters em fevereiro de 2025.
Por que isso importa local e globalmente
Para cientistas chineses e a comunidade de pesquisa em geral, o Jiuzhang 4.0 representa um passo concreto em direção ao que é chamado de supremacia quântica, o ponto em que um computador quântico pode superar qualquer computador clássico em uma tarefa prática. A máquina ainda não resolve problemas gerais, mas mostra que a computação quântica fotônica pode ser escalada. A equipe aumentou o número de fótons detectados de 255 no Jiuzhang 3.0 para 430 no Jiuzhang 4.0. Esse salto de escala tornou possível o avanço na velocidade. A conquista também mantém a China em uma disputa acirrada com os Estados Unidos e outras nações para construir computadores quânticos úteis.
O resultado do Jiuzhang 4.0 não significa que os computadores quânticos estão prontos para uso cotidiano. A máquina ainda é um dispositivo especializado construído para um tipo de cálculo. Mas o tamanho da diferença de velocidade mostra o quão longe a computação quântica fotônica chegou. Para pesquisadores em Hefei e ao redor do mundo, a questão não é mais se os computadores quânticos podem superar os clássicos. É o quão cedo eles farão isso em problemas que importam.