Manguezais, as florestas costeiras emaranhadas que armazenam mais carbono que florestas tropicais, podem se recuperar do desmatamento dentro de uma vida humana. Um novo estudo global publicado em junho de 2026 descobriu que plantações de mangue abandonadas na Indonésia e em outros países podem crescer novamente até perto da condição natural em 15 a 30 anos. Isso é rápido o suficiente para fazer diferença nas metas climáticas e na proteção costeira.
Uma janela de 30 anos para o crescimento
Pesquisadores analisaram 40 locais em 10 países, incluindo Indonésia, Brasil e Quênia. Eles observaram manguezais que foram desmatados para fazendas de camarão, madeira ou carvão e depois abandonados. O estudo descobriu que, após 15 anos, os manguezais em regeneração continham cerca de metade do carbono de florestas antigas. Após 30 anos, os estoques de carbono e a altura das árvores igualaram os níveis naturais. O autor principal, um cientista da Universidade de Queensland, na Austrália, disse que a velocidade da recuperação surpreendeu a equipe.
Por que as comunidades locais na Indonésia se importam
A Indonésia perdeu mais manguezais do que qualquer outro país. Grande parte dessa perda veio do desmatamento para a criação de viveiros de camarão. Quando esses viveiros foram abandonados, muitos moradores locais presumiram que a terra estava morta. O estudo mostra que, se não forem perturbados, os manguezais podem voltar por conta própria. Isso é importante para vilarejos que dependem dos manguezais para berçários de peixes, proteção contra tempestades e lenha. Em alguns locais em Sumatra, pesquisadores descobriram que manguezais regenerados já abrigavam as mesmas espécies de caranguejos e peixes que as florestas intocadas.
O que o estudo não encontrou
A pesquisa não analisou esforços de replantio. Ela examinou apenas o crescimento natural em terras abandonadas. Essa distinção é importante. Muitos projetos governamentais e de ONGs gastam dinheiro plantando mudas de mangue, muitas vezes com baixas taxas de sobrevivência. O estudo sugere que, em alguns casos, simplesmente parar a destruição e deixar a natureza agir pode ser mais eficaz. Os autores enfatizaram que suas descobertas se aplicam apenas a locais onde o solo e o fluxo de água não foram permanentemente danificados.
Um parâmetro mensurável para a restauração
O estudo dá a governos e grupos de conservação um alvo claro. Se os manguezais puderem crescer por três décadas, eles podem armazenar tanto carbono quanto florestas que nunca foram cortadas. Isso torna a restauração de manguezais uma das poucas soluções climáticas naturais com um cronograma previsível. Os pesquisadores esperam que seus dados ajudem países como a Indonésia, que se comprometeu a restaurar 600 mil hectares de manguezais até 2030, a decidir onde concentrar recursos limitados.