Ela foi a primeira mulher na China a obter um doutorado, uma advogada pioneira e juíza. Ela também foi uma assassina com espada que matou um homem em plena luz do dia e saiu impune. Zheng Yuxiu, nascida em 1891 em Guangdong, viveu uma vida que parece um romance de artes marciais, exceto que cada palavra é verdadeira.
O assassinato que chocou Xangai
Em 1922, Zheng entrou em um hotel em Xangai e esfaqueou um homem chamado Xia Zhifeng até a morte. Xia era um capanga de um senhor da guerra que ajudou a reprimir uma greve de trabalhadores ferroviários, deixando dezenas de mortos. Zheng, então com 31 anos, o via como um traidor da revolução. Ela não fugiu. Esperou a polícia e confessou. No julgamento, argumentou que matar Xia foi um ato de justiça, não assassinato. O tribunal a absolveu. O público aplaudiu.
De doutora a fora da lei revolucionária
Zheng não era uma assassina comum. Ela havia obtido um diploma de direito pela Universidade de Paris e se tornou a primeira mulher chinesa a receber um doutorado. Voltou para a China e se tornou professora na Universidade Soochow, uma das melhores faculdades de direito do país. Mas também pertencia a uma sociedade secreta de assassinos chamada "Tiexue Tuan", ou a Liga de Ferro e Sangue. Seus membros acreditavam que matar oficiais corruptos e traidores era um dever patriótico. Zheng era sua operativa mais famosa. Era chamada de "xia nu", uma cavaleira andante feminina e cavalheiresca do folclore chinês, que corrige injustiças com uma lâmina.
Por que os locais a viam como heroína
No caos da China do início do século XX, os senhores da guerra governavam pela violência e o sistema jurídico era fraco. Muitas pessoas se sentiam impotentes. As ações de Zheng lhes deram uma história de alguém que revidou. Ela mirava homens que acreditava terem traído a nação. Após sua absolvição, tornou-se uma celebridade. Grupos de mulheres a celebraram. Jornais a chamaram de guerreira moderna. Mais tarde, serviu como juíza e ajudou a redigir o primeiro código civil da China. Morreu em 1959, mas sua vida dupla como acadêmica e assassina continua sendo uma lenda na história chinesa.
A história de Zheng Yuxiu não é um conto simples de bem contra o mal. É um lembrete de que em tempos de justiça quebrada, algumas pessoas tomam a lei em suas próprias mãos. Se ela foi uma heroína ou uma assassina depende de quem conta a história. Mas ninguém pode negar que ela foi uma das mulheres mais extraordinárias da história moderna da China.