Saltar para o conteúdo

Borboleta britânica é uma subespécie distinta, revela estudo

A borboleta britânica segue seu próprio caminho há muito mais tempo do que se imaginava. Um novo estudo genético revela que a população que vive no Reino Unido se separou de suas primas europeias há cerca de 130 mil anos...

A borboleta britânica segue seu próprio caminho há muito mais tempo do que se imaginava. Um novo estudo genético revela que a população que vive no Reino Unido se separou de suas primas europeias há cerca de 130 mil anos, tornando-se uma subespécie distinta que evoluiu isoladamente.

Uma borboleta que seguiu seu próprio caminho

Cientistas da Universidade de Cambridge analisaram o DNA de borboletas de toda a Europa e as compararam com espécimes coletados nos Norfolk Broads, o único lugar na Grã-Bretanha onde a espécie ainda sobrevive. Os resultados mostraram que a população britânica está geneticamente separada desde antes da última era glacial. Durante esse período congelado, as borboletas provavelmente recuaram para refúgios ao sul, mas quando o gelo recuou, elas recolonizaram a Grã-Bretanha enquanto seus parentes continentais permaneceram no continente. Os dois grupos nunca mais se misturaram.

Por que os Norfolk Broads são importantes

A borboleta é a maior borboleta nativa da Grã-Bretanha, com envergadura de até oito centímetros. Suas lagartas se alimentam exclusivamente de salsa-dos-pântanos, uma planta que cresce apenas nos pântanos e brejos do leste da Inglaterra. Por décadas, conservacionistas trabalharam para proteger o habitat da borboleta nos Norfolk Broads, uma rede de rios e áreas úmidas. A nova descoberta lhes dá um argumento mais forte: se a borboleta britânica é uma subespécie única, sua perda significaria a extinção de uma linhagem evolutiva inteira, não apenas de uma população local.

Agricultores e proprietários de terras em Norfolk têm participado dos esforços para restaurar habitats úmidos e plantar salsa-dos-pântanos. O autor principal do estudo disse que a evidência genética confirma que a conservação da borboleta britânica não se trata apenas de preservar um inseto bonito, mas de proteger um pedaço da história evolutiva que não pode ser substituído.

O que a pesquisa realmente descobriu

O estudo, publicado na revista Molecular Ecology, usou sequenciamento genômico para comparar borboletas britânicas modernas com espécimes de museu coletados há mais de um século. Os pesquisadores também analisaram borboletas da França, Itália, Alemanha e Grécia. Eles descobriram que a população britânica é mais próxima de borboletas antigas dos Bálcãs do que de seus vizinhos mais próximos na França. Isso sugere que, após a era glacial, a população britânica foi fundada por borboletas que seguiram uma rota de migração diferente, possivelmente através de uma ponte de terra agora submersa no Mar do Norte.

As diferenças genéticas são pequenas, mas consistentes. A borboleta britânica tem variações sutis no padrão e na cor das asas, e suas lagartas se desenvolvem um pouco mais rápido, uma adaptação ao verão britânico mais curto. O estudo confirma que essas características não são apenas peculiaridades ambientais, mas estão escritas no DNA da borboleta.

Um lembrete silencioso do tempo profundo

A descoberta de que uma borboleta que voa sobre um pântano inglês carrega um legado genético de 130 mil anos é um lembrete de que a evolução está sempre acontecendo, mesmo em lugares que parecem comuns. A borboleta britânica não precisou de uma cordilheira ou de um oceano para se tornar distinta. Ela só precisou de tempo, isolamento e um pedaço de pântano que nunca secou completamente.

Resumo Diário

As 5 histórias mais interessantes, todas as manhãs. Grátis.