Cientistas chineses estão plantando bambu para reforçar a barreira de desertificação do país, a Grande Muralha Verde. A medida adiciona uma planta de crescimento rápido e raízes profundas a um projeto que dependia principalmente de árvores e arbustos há décadas.
Bambu traz nova força a uma antiga batalha contra o deserto
A Grande Muralha Verde é uma rede de árvores e vegetação plantada no norte da China para impedir a expansão do Deserto de Gobi. Cientistas do Centro Internacional de Bambu e Rattan em Pequim identificaram agora espécies de bambu que sobrevivem às condições áridas e severas da região. Eles afirmam que o sistema denso de raízes do bambu segura melhor o solo do que muitas espécies tradicionais, tornando-o uma ferramenta poderosa contra a erosão eólica.
Um pequeno trecho de bambu em Gansu mostra o que é possível
Pesquisadores plantaram um lote experimental de bambu na província de Gansu, uma área seca ao longo do caminho da muralha. O bambu sobreviveu e cresceu bem, provando que o conceito funciona. Autoridades locais e agricultores notaram, porque a desertificação ameaça diretamente terras agrícolas e vilarejos. Se o bambu conseguir segurar a linha, pode proteger meios de subsistência e reduzir as tempestades de poeira que assolam a região toda primavera.
A China começou a Grande Muralha Verde em 1978. É um dos maiores projetos de engenharia ecológica do mundo. A adição do bambu não substitui as árvores existentes, mas adiciona uma nova camada de defesa. O bambu amadurece mais rápido que a maioria das árvores e pode ser colhido sem matar a planta, o que dá às comunidades locais uma fonte potencial de renda.
O projeto ainda está em estágios iniciais. Cientistas estão testando quais variedades de bambu lidam melhor com frio e seca. Mas os resultados iniciais sugerem que uma planta mais associada a pandas e florestas tropicais pode ter um futuro nas linhas de frente secas da luta da China contra o deserto.