Uma equipe de pesquisadores na Coreia do Sul resolveu um enigma sobre o cérebro humano que intrigava cientistas desde os anos 1770. A descoberta envolve um tipo de inchaço cerebral ligado à demência, condição que afeta milhões de pessoas no mundo todo.
Uma questão de 250 anos sobre fluido no cérebro
Em 1776, o cientista italiano Domenico Cotugno descreveu pela primeira vez um fenômeno estranho: espaços cheios de fluido no cérebro que pareciam aparecer em pessoas com demência. Por mais de dois séculos, ninguém conseguiu explicar por que esses espaços se formavam ou o que significavam. Cientistas do Korea Advanced Institute of Science and Technology, conhecido como KAIST, em Daejeon, Coreia do Sul, finalmente encontraram a resposta.
A equipe focou em uma proteína chamada aquaporina 4, ou AQP4. Essa proteína age como um minúsculo canal de água nas células cerebrais. Os pesquisadores descobriram que, quando a AQP4 se degrada, o fluido se acumula no cérebro. Esse acúmulo cria os espaços que Cotugno viu. A condição é chamada de edema cerebral, ou inchaço do cérebro.
Por que isso importa para pessoas com demência
O estudo mostrou que, em pessoas com demência, a proteína AQP4 fica danificada. Sem canais de água funcionando corretamente, o fluido não consegue drenar do cérebro como deveria. O fluido preso causa pressão e inchaço. Com o tempo, esse dano pode piorar os sintomas da demência.
A equipe de pesquisa usou técnicas avançadas de imagem para observar como o fluido se movia nos cérebros de pessoas saudáveis e daquelas com demência. Eles viram diferenças claras. Em cérebros saudáveis, o fluido se movia livremente. Em cérebros afetados pela demência, o fluido se acumulava em certas áreas. Esses acúmulos correspondiam aos espaços que Cotugno descreveu no século 18.
Comunidades locais na Coreia do Sul demonstraram grande interesse nesse trabalho. As taxas de demência estão aumentando em todo o país, e as famílias buscam respostas. A equipe do KAIST recebeu atenção tanto de profissionais médicos quanto do público.
A descoberta não oferece uma cura para a demência. Mas dá aos pesquisadores um novo alvo para tratamento. Se os cientistas conseguirem encontrar uma maneira de proteger ou reparar a proteína AQP4, eles podem ser capazes de prevenir o inchaço cerebral que foi um mistério por 250 anos. O trabalho continua em Daejeon, onde a equipe agora testa possíveis compostos que poderiam manter os canais de água funcionando corretamente.