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Cirurgia no joelho para lesão de cartilagem pode ser inútil, aponta estudo

Dezenas de milhares de pessoas vão para a faca todos os anos por causa de lesões no menisco, na esperança de que a cirurgia resolva a dor e as faça voltar a se movimentar. Um grande estudo novo do Reino Unido agora sugere que...

Dezenas de milhares de pessoas vão para a faca todos os anos por causa de lesões no menisco, na esperança de que a cirurgia resolva a dor e as faça voltar a se movimentar. Um grande estudo novo do Reino Unido agora sugere que esse procedimento pode não fazer nada.

A operação que pode não funcionar

Pesquisadores acompanharam mais de 300 pacientes com danos na cartilagem do joelho. Metade recebeu a cirurgia padrão por vídeo para aparar ou reparar o tecido rompido. A outra metade passou por um procedimento simulado, uma incisão e toda a mesma burocracia hospitalar, mas sem nenhum reparo real. Ambos os grupos seguiram o mesmo programa de reabilitação pós-operatória.

Após um ano, os resultados foram quase idênticos. Pacientes que fizeram a cirurgia real relataram praticamente os mesmos níveis de dor, função e qualidade de vida que aqueles que fizeram a falsa. O estudo, publicado no British Medical Journal, não encontrou diferença significativa entre os dois grupos.

Por que isso importa para quem tem joelhos

O ensaio foi liderado por pesquisadores da Universidade de Oxford e conduzido em vários hospitais do Reino Unido. As lesões de cartilagem são comuns entre atletas, idosos e qualquer pessoa que já tenha torcido o joelho de forma estranha. Durante anos, a meniscectomia parcial artroscópica, o nome médico da cirurgia, tem sido um dos procedimentos ortopédicos mais realizados no mundo.

Pacientes e cirurgiões locais há muito assumem que a operação proporciona alívio real. Este estudo desafia essa suposição de frente. Os autores dizem que suas descobertas sugerem que a cirurgia não oferece benefício sobre um placebo, e que a melhora que muitos pacientes sentem após a operação pode vir da reabilitação ou simplesmente da passagem do tempo.

Uma mudança na forma como tratamos lesões no joelho

As implicações são significativas. Se a cirurgia não funciona, milhares de pessoas por ano podem estar passando por uma operação desnecessária, com todos os riscos cirúrgicos, tempo de recuperação e custos médicos. Os pesquisadores argumentam que tratamentos conservadores, como fisioterapia, devem ser a primeira linha de defesa para a maioria das lesões de cartilagem.

O estudo não é o primeiro a questionar o valor dessa cirurgia, mas é um dos mais rigorosos. Ao incluir um grupo de controle com procedimento simulado, os pesquisadores eliminaram o poderoso efeito placebo que pode fazer pacientes e médicos acreditarem que um tratamento está funcionando quando não está.

Isso não significa que ninguém deva fazer cirurgia no joelho. O ensaio focou em pacientes com um tipo específico de lesão de cartilagem, e casos individuais ainda podem justificar intervenção cirúrgica. Mas para a grande maioria, as evidências agora sugerem que o bisturi pode não ser a resposta.

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