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Comércio global de pepinos-do-mar ameaça 60% das espécies

O humilde pepino-do-mar, uma criatura que parece mais um picles mole do que um item de luxo, está no centro de um comércio global tão intenso que 60% de todas as espécies conhecidas agora enfrentam extinção. Um novo estudo...

O humilde pepino-do-mar, uma criatura que parece mais um picles mole do que um item de luxo, está no centro de um comércio global tão intenso que 60% de todas as espécies conhecidas agora enfrentam extinção. Um novo estudo publicado em abril de 2026 revela que o mercado internacional por esses animais marinhos cresceu de forma alarmante, com pouca supervisão e consequências devastadoras para os ecossistemas oceânicos.

Uma colheita oculta que abrange 70 países

Pesquisadores analisaram dados comerciais e descobriram que pepinos-do-mar são agora colhidos em pelo menos 70 países, com Indonésia, Filipinas e Papua-Nova Guiné entre os maiores exportadores. Os animais são secos e vendidos como bêche-de-mer ou trepang, principalmente para compradores na China, Hong Kong e outras partes do Leste Asiático, onde são valorizados em sopas e medicina tradicional. O estudo, liderado por cientistas da Universidade de Quebec em Rimouski, Canadá, e da Universidade de Newcastle, Austrália, documentou 381 espécies no comércio. Dessas, 228 espécies estão ameaçadas de extinção, segundo critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza. Isso é uma proporção muito maior do que estimativas anteriores sugeriam.

Por que as comunidades pesqueiras locais estão sentindo o aperto

Para comunidades costeiras em todo o Indo-Pacífico, os pepinos-do-mar há muito são uma fonte confiável de renda. Mas, com o aumento da demanda, os pescadores tiveram que viajar mais longe e mergulhar mais fundo para encontrá-los. Em muitos lugares, incluindo partes da Indonésia e das Filipinas, as populações de espécies de alto valor, como o pepino-do-mar branco e o pepino-do-mar preto, entraram em colapso. Pescadores locais relatam capturar menos animais e menores a cada ano. O estudo observa que o comércio é amplamente desregulado, com apenas um punhado de espécies listadas na Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens. Isso significa que a maioria dos pepinos-do-mar cruza fronteiras sem qualquer monitoramento ou limites de captura.

Uma crise silenciosa no fundo do oceano

Pepinos-do-mar não são apenas um item alimentar. Eles desempenham um papel crítico nos ecossistemas marinhos, reciclando nutrientes e limpando o fundo do mar. Quando são superexplorados, a saúde dos recifes de coral e dos leitos de ervas marinhas pode declinar. O estudo pede ação urgente, incluindo a listagem de mais espécies na CITES e o estabelecimento de cotas de captura sustentáveis. Sem essas medidas, os autores alertam, o comércio continuará a empurrar as espécies para a extinção, enquanto prejudica os meios de subsistência das próprias pessoas que dependem delas.

Fonte: Mongabay

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