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O crocodilo trepador de árvores da Costa do Marfim enfrenta um futuro incerto

Um crocodilo que sobe em árvores. Essa é a realidade na Costa do Marfim, onde o crocodilo de focinho fino foi observado escalando galhos acima da água. Uma cientista que estuda o réptil há anos diz que a espécie agora precisa de...

Um crocodilo que sobe em árvores. Essa é a realidade na Costa do Marfim, onde o crocodilo de focinho fino foi observado escalando galhos acima da água. Uma cientista que estuda o réptil há anos diz que a espécie agora precisa de proteção formal antes que desapareça.

Um crocodilo que vive em dois mundos

Christine Kouman, pesquisadora da Universidade Félix Houphouët Boigny, passou anos rastreando o crocodilo de focinho fino na Costa do Marfim. Esses crocodilos não apenas nadam e tomam sol nas margens dos rios. Eles sobem em galhos pendentes, às vezes a vários metros acima da água. Kouman documentou esse comportamento nas florestas do sul do país, onde os répteis usam as árvores para se aquecer ao sol e, possivelmente, para emboscar presas.

O crocodilo de focinho fino já está listado como criticamente ameaçado pela União Internacional para a Conservação da Natureza. Mas na Costa do Marfim, ele não recebe nenhuma proteção legal específica. Kouman argumenta que o governo deveria designar a espécie como protegida pela lei nacional, o que tornaria a caça e a destruição do habitat ilegais.

Por que a população local se importa com um réptil trepador

O crocodilo vive em rios e pântanos perto de vilarejos no sul da Costa do Marfim. Pescadores locais encontram os animais regularmente. Algumas comunidades têm crenças tradicionais sobre os crocodilos, vendo-os como sagrados ou guardiões da água. Mas os répteis também enfrentam ameaças da perda de habitat, à medida que as florestas são desmatadas para a agricultura, e da caça para obtenção de carne.

A pesquisa de Kouman mostra que a população de crocodilos de focinho fino na Costa do Marfim diminuiu drasticamente. Ela estima que menos de 100 adultos podem permanecer na natureza no país. Sem proteção legal, a espécie pode desaparecer completamente da região.

Um pedido de ação antes que seja tarde demais

A cientista submeteu uma proposta ao governo marfinense para listar o crocodilo de focinho fino como espécie protegida. Ela também recomendou a criação de um plano de conservação que envolva as comunidades locais. Se o governo agir, a Costa do Marfim se juntaria a outros países da África Ocidental que já concederam proteção legal à espécie.

Kouman continua estudando os crocodilos, rastreando seus movimentos e monitorando seus ninhos. Ela diz que o comportamento de subir em árvores torna a espécie única e digna de ser salva. O crocodilo não representa apenas uma curiosidade biológica. Ele é parte do ecossistema e da paisagem cultural do sul da Costa do Marfim. Se o governo agirá para protegê-lo determinará se o crocodilo trepador continuará sendo uma parte viva das florestas do país ou se tornará apenas uma memória.

Fonte: Mongabay

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