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🇵🇪 Peru Descobertas Selvagens 3 min

Núcleo de gelo tropical reescreve história global do metano

Um novo núcleo de gelo perfurado de uma geleira tropical no Peru está forçando cientistas a repensar a história do metano atmosférico. O registro, publicado na Nature, mostra que os níveis de metano nos trópicos eram muito mais...

Um novo núcleo de gelo perfurado de uma geleira tropical no Peru está forçando cientistas a repensar a história do metano atmosférico. O registro, publicado na Nature, mostra que os níveis de metano nos trópicos eram muito mais altos no passado do que se supunha, sugerindo que as estimativas globais atuais podem estar perdendo uma peça importante do quebra-cabeça.

Um arquivo congelado dos Andes

Os pesquisadores extraíram o núcleo de gelo de uma geleira de alta altitude nos Andes peruanos, uma região onde o acúmulo de gelo é raro e difícil de acessar. O núcleo contém bolhas de ar presas que preservam amostras da atmosfera dos últimos 1.000 anos. Ao analisar o gás nessas bolhas, a equipe reconstruiu um registro contínuo das concentrações de metano, um potente gás de efeito estufa.

Os cientistas, liderados por Kara A. Lamantia e Lonnie G. Thompson, descobriram que os níveis de metano na atmosfera tropical eram consistentemente mais altos do que os registrados em núcleos de gelo polar do mesmo período. Essa discrepância é significativa porque os núcleos polares têm sido há muito tempo a referência padrão para as tendências globais de metano. Os novos dados sugerem que fontes tropicais, como pântanos e incêndios, podem ter desempenhado um papel muito maior no ciclo do metano do que se reconhecia anteriormente.

Por que os trópicos importam

Pesquisadores locais e comunidades no Peru sabem há muito tempo que as geleiras são vitais para o abastecimento de água, mas o gelo também guarda pistas sobre o clima global. A geleira está situada nos trópicos, uma região que é tanto uma grande fonte quanto um grande sumidouro de metano. Pântanos tropicais, por exemplo, produzem grandes quantidades de metano naturalmente, enquanto a química atmosférica nos trópicos pode destruí-lo. O novo registro mostra que esses processos variaram significativamente ao longo dos séculos, provavelmente em resposta a mudanças na temperatura e na precipitação.

As descobertas são importantes para os modelos climáticos, que dependem de dados históricos precisos para prever mudanças futuras. Se as emissões tropicais de metano foram mais altas no passado, os modelos podem precisar ajustar suas suposições sobre o quão sensíveis essas fontes são às mudanças climáticas. O estudo também destaca o valor dos núcleos de gelo tropicais, que estão desaparecendo à medida que as geleiras recuam devido ao aquecimento.

Uma nova janela para o passado

O núcleo de gelo peruano é um dos poucos registros tropicais do tipo, e oferece um vislumbre raro de uma região que é frequentemente sub-representada na pesquisa climática. A equipe comparou seus dados com registros existentes da Groenlândia e da Antártida, revelando que os trópicos nem sempre seguem as mesmas tendências que os polos. Isso sugere que as emissões de metano não são uniformes em todo o globo, e que diferenças regionais importam.

O estudo não resolve todas as questões sobre a história do metano, mas abre um novo caminho para investigação. À medida que as geleiras tropicais continuam a derreter, a oportunidade de coletar tais núcleos está diminuindo. Os pesquisadores instam que mais esforços sejam feitos para preservar esses arquivos naturais antes que sejam perdidos.

No contexto mais amplo da ciência climática, este trabalho sublinha a complexidade do ciclo do metano. Mostra que mesmo gases bem estudados podem guardar surpresas quando examinados de uma nova perspectiva. O registro do núcleo de gelo tropical é um lembrete de que a atmosfera da Terra tem um passado dinâmico e variado, e que compreendê-lo exige olhar além dos polos.

Fonte: Nature News

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