As bactérias que vivem dentro de mulheres nos Estados Unidos e na China são tão diferentes que um único padrão de saúde vaginal pode não funcionar para ambas as populações. Um novo estudo publicado na revista Med mostra que mulheres chinesas carregam uma proporção muito maior de uma bactéria chamada Lactobacillus iners, enquanto mulheres americanas têm mais chances de hospedar Lactobacillus crispatus. A descoberta derruba a suposição comum de que uma vagina saudável é igual em todo lugar.
Por que um padrão único de saúde pode não servir para todas as mulheres
Pesquisadores da China e dos Estados Unidos analisaram swabs vaginais de 1.600 mulheres em ambos os países. Eles descobriram que a composição microbiana das mulheres chinesas era dominada por Lactobacillus iners, uma espécie que produz menos ácido lático do que sua prima Lactobacillus crispatus. O ácido lático ajuda a manter a vagina ácida e hostil a bactérias nocivas. Nas mulheres americanas, Lactobacillus crispatus era muito mais comum, criando um ambiente mais ácido no geral.
O estudo também analisou os microbiomas vaginais de mulheres na África do Sul e no Quênia. Essas populações mostraram outro padrão, com níveis mais altos de bactérias do gênero Gardnerella, frequentemente ligado à vaginose bacteriana. Os pesquisadores concluíram que etnia, dieta, práticas de higiene e comportamento sexual moldam o microbioma vaginal de maneiras que variam por região.
O que isso significa para diagnóstico e tratamento
Médicos na China e nos Estados Unidos atualmente usam os mesmos critérios para diagnosticar vaginose bacteriana, uma infecção comum ligada a parto prematuro e risco de HIV. Mas esses critérios foram desenvolvidos principalmente com base em dados de mulheres ocidentais. O estudo sugere que aplicá-los a mulheres chinesas pode levar a diagnósticos errados, porque o que parece um desequilíbrio em uma população pode ser normal em outra.
Por exemplo, o escore de Nugent, um teste laboratorial padrão para vaginose bacteriana, pode classificar uma mulher chinesa como tendo uma infecção quando seu microbioma é simplesmente típico para sua região. Os pesquisadores pedem diretrizes específicas por região que levem em conta essas diferenças. Eles também observam que probióticos e tratamentos desenvolvidos em um país podem não funcionar como esperado em outro.
Um chamado por pesquisa médica mais diversa
O estudo foi liderado por cientistas da Academia Chinesa de Ciências e da Universidade da Califórnia, San Diego. Eles argumentam que a pesquisa médica há muito é tendenciosa em direção a populações ocidentais, e que esse viés pode levar a tratamentos ineficazes ou até prejudiciais para pessoas em outras partes do mundo. O microbioma vaginal é apenas um exemplo de um problema maior.
Médicos locais na China já começaram a questionar se padrões de saúde importados se aplicam a seus pacientes. O estudo fornece dados para apoiar essas preocupações. Ele também abre portas para o desenvolvimento de diagnósticos e tratamentos adaptados aos microbiomas das mulheres chinesas, em vez de depender de um modelo único importado do exterior.