Um crânio de estegossauro tão completo que está reescrevendo a história evolutiva dos dinossauros com placas foi desenterrado na Espanha. O fóssil, pertencente ao Dacentrurus armatus, é o crânio de estegossauro mais bem preservado já encontrado na Europa. Crânios de dinossauros são notoriamente frágeis e raramente sobrevivem intactos, tornando esta descoberta uma rara janela para como esses gigantes blindados evoluíram.
O crânio que sobreviveu 150 milhões de anos
Paleontólogos da Fundación Conjunto Paleontológico de Teruel Dinópolis descobriram o fóssil no sítio Están de Colón, dentro da Formação Villar del Arzobispo, em Riodeva, Teruel, Espanha. A camada de rocha data do período Jurássico Superior, cerca de 150 milhões de anos atrás. Estegossauros eram dinossauros herbívoros, quadrúpedes, conhecidos pelas fileiras de placas e espinhos que iam do pescoço à cauda. Seus crânios, no entanto, são extremamente delicados e quase nunca sobrevivem ao processo de fossilização. Este espécime está tão bem preservado que revelou detalhes anteriormente desconhecidos sobre a anatomia do Dacentrurus armatus, uma espécie descrita pela primeira vez há 150 anos, em 2025.
Um novo ramo na árvore genealógica dos dinossauros
Com base no estudo detalhado do crânio, a equipe de pesquisa propôs uma nova hipótese sobre como os estegossauros evoluíram e se espalharam pelo mundo. Eles definiram formalmente um novo grupo chamado Neostegosauria. Este grupo inclui espécies de estegossauros de médio e grande porte que viveram em vários continentes durante os períodos Jurássico e Cretáceo Inferior. De acordo com o estudo, membros da Neostegosauria habitaram áreas que hoje são África e Europa durante o Jurássico Médio e Superior, América do Norte durante o Jurássico Superior e Ásia durante o Jurássico Superior e Cretáceo Inferior. A nova classificação pode remodelar a forma como os cientistas entendem a história evolutiva e a distribuição global dos dinossauros com placas.
O sítio fossilífero em Riodeva continua a render descobertas importantes. Os resultados foram publicados na revista científica Vertebrate Zoology. Para os moradores locais e a comunidade científica em geral, este crânio é mais do que um fóssil raro. É uma chave que abre um entendimento mais profundo de como esses dinossauros icônicos viveram, evoluíram e se moveram pelos continentes antigos.