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Sapos da Amazônia desaparecendo antes que cientistas possam nomeá-los

A Amazônia está perdendo espécies de sapos mais rápido do que os cientistas conseguem encontrá-las. No Brasil, pesquisadores estimam que dezenas de espécies de anfíbios podem desaparecer antes mesmo de serem formalmente...

A Amazônia está perdendo espécies de sapos mais rápido do que os cientistas conseguem encontrá-las. No Brasil, pesquisadores estimam que dezenas de espécies de anfíbios podem desaparecer antes mesmo de serem formalmente descritas.

Uma equipe de herpetólogos tem corrido contra o tempo pela Amazônia ocidental, documentando sapos em áreas onde o desmatamento está acelerando. A janela para estudar esses animais está se fechando rapidamente.

Uma nova espécie a cada poucos dias, mas a extinção é mais rápida

Cientistas descreveram mais de 50 novas espécies de sapos da Amazônia nos últimos cinco anos. Esse ritmo é notável. Mas não é suficiente.

Levantamentos de campo mostram que muitos desses sapos vivem em áreas muito pequenas. Alguns são encontrados apenas em um único trecho de floresta. Quando essa floresta é cortada para pecuária ou plantação de soja, a espécie inteira pode desaparecer.

Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e de outras instituições têm realizado inventários rápidos em partes remotas da bacia amazônica. Eles encontram sapos, coletam espécimes e fazem testes genéticos. Muitas vezes, trabalham contra o relógio.

Por que as comunidades locais se importam com sapos minúsculos

Para as comunidades que vivem ao longo do Rio Juruá e de outros afluentes, os sapos fazem parte do dia a dia. Algumas espécies são usadas na medicina tradicional. Outras são indicadores da qualidade da água e da saúde da floresta.

Quando as populações de sapos despencam, isso sinaliza problemas ambientais mais amplos. Pescadores e agricultores locais percebem quando o coro noturno de coaxos fica em silêncio. Eles veem mudanças na quantidade de insetos e no comportamento dos predadores que comem sapos.

Cientistas têm trabalhado com guias locais e proprietários de terra para ter acesso a fragmentos de floresta privados. Essas parcerias levaram à descoberta de várias novas espécies, incluindo um sapo venenoso colorido descrito em 2023 na Bacia do Rio Juruá.

O relógio está correndo contra a biodiversidade desconhecida

A Amazônia abriga mais espécies de sapos do que qualquer outro lugar da Terra. Mas as taxas de desmatamento na Amazônia brasileira continuam altas. Incêndios, construção de estradas e expansão agrícola continuam fragmentando a floresta.

Pesquisadores dizem que muitos dos sapos que estão encontrando agora podem desaparecer em uma década. Sem uma descrição formal, uma espécie não tem nome científico. Não pode ser listada como ameaçada. Não recebe proteção legal.

A corrida para nomear esses sapos não é só sobre ciência. É sobre documentar o que existe antes que seja apagado.

Fonte: Mongabay

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