A agricultura, e não a exploração madeireira ou a mineração, é agora a principal razão pela qual as turfeiras tropicais estão desaparecendo na Indonésia, no Peru e na República Democrática do Congo. Um novo estudo publicado na Nature Communications descobriu que a agricultura foi responsável por mais da metade de toda a perda de turfeiras tropicais nesses três países entre 2015 e 2023.
Turfeiras estão sendo desmatadas para plantações e cultivos
Pesquisadores analisaram dados de satélite e registros de uso da terra nos três países, que juntos abrigam a maior parte das turfeiras tropicais do mundo. Na Indonésia, a perda foi impulsionada principalmente pela expansão das plantações de óleo de palma e polpa de madeira. No Peru, a agricultura de pequena escala e a pecuária foram as principais causas. Na RDC, a agricultura familiar e o desmatamento para cultivos de subsistência lideraram a destruição.
Turfeiras são ecossistemas alagados que armazenam enormes quantidades de carbono. Quando são drenadas e queimadas para a agricultura, esse carbono é liberado na atmosfera. O estudo descobriu que incêndios provocados para limpar a terra causaram emissões de gases de efeito estufa especialmente altas no curto prazo.
Por que as comunidades locais estão sentindo os efeitos
Para as pessoas que vivem perto dessas turfeiras, as mudanças não são abstratas. Na Indonésia, agricultores que dependem das florestas de turfa para pesca e produtos não madeireiros viram seus recursos diminuírem. No Peru, pecuaristas e colonos se mudaram para áreas de turfa que antes eram muito úmidas para cultivar, drenando-as e desencadeando incêndios que às vezes saem do controle. Na RDC, comunidades que dependem das turfeiras para água na estação seca e alimentos silvestres estão vendo elas desaparecerem.
O autor principal do estudo disse que, embora a perda de turfeiras tenha diminuído em algumas partes da Indonésia devido aos esforços de restauração do governo, a tendência geral continua preocupante. Os pesquisadores descobriram que a taxa de perda de turfeiras na RDC e no Peru acelerou nos últimos anos.
As turfeiras tropicais cobrem apenas cerca de 3% da área terrestre global, mas armazenam aproximadamente um terço de todo o carbono do solo. Sua destruição libera dióxido de carbono e metano, dois potentes gases de efeito estufa. O estudo não calculou as emissões exatas, mas observou que incêndios em turfeiras desmatadas produzem emissões muito maiores do que aqueles em solos minerais.
Esta pesquisa se soma a um crescente corpo de evidências de que a expansão agrícola, e não a exploração madeireira industrial ou a mineração, representa a maior ameaça imediata aos ecossistemas mais densos em carbono do mundo. Para as pessoas que vivem na linha de frente dessa expansão, a perda das turfeiras significa perder uma paisagem que as sustentou por gerações.