Por décadas, conservacionistas tentaram contar cada leopardo-das-neves nas montanhas da Ásia Central. Mas Rodney Jackson, biólogo que estuda a espécie há mais de 40 anos, agora diz que números exatos importam muito menos do que manter as comunidades locais na terra. Jackson fundou a Snow Leopard Conservancy e passou grande parte de sua carreira no Nepal e países vizinhos. Em uma entrevista recente, ele argumentou que a verdadeira ameaça aos leopardos-das-neves não é a caça ilegal ou a falta de dados. É o lento desaparecimento das pessoas que viveram ao lado dos felinos por séculos. Por que os pastores importam mais que as contagens de cabeças Os leopardos-das-neves vivem em 12 países, do Nepal à Mongólia. Seu habitat é acidentado, remoto e difícil de pesquisar. Governos e ONGs gastaram milhões tentando estimar quantos restam. Mas Jackson diz que esses esforços muitas vezes perdem o foco. Ele destaca que os leopardos-das-neves nunca foram fáceis de contar. São solitários, esquivos e percorrem vastos territórios. Mesmo os melhores estudos com câmeras-trap produzem estimativas aproximadas. Jackson acredita que focar nos números populacionais pode distrair do trabalho mais difícil de manter as comunidades montanhesas intactas. Quando os pastores abandonam suas pastagens tradicionais, explicou Jackson, a paisagem muda. O pastoreio dá lugar a arbustos e árvores. Essa mudança pode reduzir o número de presas selvagens, como ovelhas-azuis e íbex. Sem comida selvagem suficiente, os leopardos-das-neves podem atacar animais domésticos, o que leva a conflitos e mortes por retaliação. A ligação entre pessoas e predadores Jackson viu esse padrão em toda a área de distribuição do leopardo-das-neves. No Nepal, ele trabalhou com comunidades para construir currais à prova de predadores e criar programas de seguro para o gado. Esses esforços reduziram os ataques aos rebanhos e diminuíram o número de leopardos mortos em vingança. Ele enfatizou que as pessoas locais não são o problema. Elas são a solução. Quando os pastores permanecem na terra e a administram bem, todo o ecossistema se beneficia. Os leopardos-das-neves obtêm um suprimento estável de alimento. As populações de presas selvagens permanecem saudáveis. E os felinos enfrentam menos ameaças de desenvolvimento externo ou mineração. Jackson também observou que contar leopardos-das-neves é caro. O dinheiro gasto em uma única pesquisa poderia financiar anos de trabalho de conservação comunitária. Ele pediu uma mudança de prioridades: investir nas pessoas primeiro e deixar os felinos cuidarem de si mesmos. Uma crise silenciosa nas altas montanhas O leopardo-das-neves é classificado como vulnerável pela IUCN. Mudanças climáticas, mineração e projetos de infraestrutura representam riscos. Mas Jackson alertou que o perigo mais negligenciado é a perda do conhecimento tradicional e do uso da terra. Jovens em muitas regiões montanhesas estão se mudando para cidades em busca de educação e emprego. Pastores mais velhos estão se aposentando sem ninguém para substituí-los. À medida que a população humana diminui, a paisagem se torna menos hospitaleira para os leopardos-das-neves. A mensagem de Jackson é simples. Grupos de conservação devem parar de se obcecar com números exatos e começar a apoiar as comunidades que compartilham as montanhas com os leopardos-das-neves. Se os pastores forem embora, os felinos podem não ficar muito atrás.
Contar leopardos-das-neves importa menos que ajudar comunidades, diz especialista
Por décadas, conservacionistas tentaram contar cada leopardo-das-neves nas montanhas da Ásia Central. Mas Rodney Jackson, biólogo que estuda a espécie há mais de 40 anos, agora diz que números exatos importam muito menos do que...
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Mongabay