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Golfinhos do Adriático agora seguem barcos de pesca para sobreviver

Golfinhos no Mar Adriático começaram a seguir traineiras como cães de rua, catando restos porque sua própria fonte de alimento colapsou. Um novo estudo revela que esses mamíferos marinhos agora passam mais da metade do tempo...

Golfinhos no Mar Adriático começaram a seguir traineiras como cães de rua, catando restos porque sua própria fonte de alimento colapsou. Um novo estudo revela que esses mamíferos marinhos agora passam mais da metade do tempo perto de barcos, uma mudança de comportamento que, segundo cientistas, é impulsionada por décadas de sobrepesca.

Golfinhos trocam caça por mendicância

Pesquisadores da Universidade de Zagreb monitoraram 120 golfinhos-nariz-de-garrafa ao longo da costa croata por três anos. Eles descobriram que os golfinhos passaram em média 54% do tempo observado a menos de 500 metros de traineiras ativas. Alguns animais ficavam perto dos barcos por horas, esperando peixes descartados e vazamentos das redes. O estudo, publicado na revista Marine Biology, é o primeiro a quantificar o quanto esses golfinhos se tornaram dependentes da atividade pesqueira humana.

Um mar esvaziado de peixes

O norte do Adriático é pescado intensamente há gerações. Pescadores locais viram suas capturas diminuírem ano após ano. Os golfinhos, que antes caçavam livremente, agora encontram as águas ao redor praticamente vazias de sardinhas, anchovas e outros peixes pequenos que normalmente comem. Cientistas dizem que os golfinhos não estão escolhendo esse estilo de vida. Eles estão se adaptando para sobreviver em um mar que já não oferece presas selvagens suficientes.

Por que os locais estão prestando atenção

Para as comunidades costeiras da Croácia, a mudança é visível da praia. Pescadores relatam ver golfinhos com mais frequência, às vezes se enroscando nas redes enquanto competem pelos mesmos recursos cada vez mais escassos. O estudo observa que esse contato próximo aumenta os riscos de ferimentos e transmissão de doenças tanto para golfinhos quanto para humanos. Autoridades locais temem que, se a tendência continuar, os golfinhos podem perder completamente seus instintos naturais de caça, ficando incapazes de sobreviver se a pesca parar ou mudar.

As descobertas se somam a um conjunto crescente de evidências de que a sobrepesca não prejudica apenas os estoques comerciais. Ela remodela o comportamento de espécies inteiras. No Adriático, um dos mares mais sobreexplorados da Terra, os golfinhos agora vivem à beira de uma indústria que também está em declínio.

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