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Desaceleração do derretimento do Ártico termina com perda recorde no inverno

A cobertura de gelo marinho do Ártico sofreu sua maior queda no inverno já registrada, encerrando um período de derretimento mais lento que havia gerado esperanças cautelosas entre cientistas. A região perdeu mais gelo durante o...

A cobertura de gelo marinho do Ártico sofreu sua maior queda no inverno já registrada, encerrando um período de derretimento mais lento que havia gerado esperanças cautelosas entre cientistas. A região perdeu mais gelo durante o inverno de 2025-2026 do que em qualquer estação anterior desde o início dos registros por satélite.

Um inverno de gelo desaparecendo no extremo norte

Pesquisadores do Instituto Polar Norueguês em Tromsø, Noruega, analisaram dados de satélite mostrando que o gelo marinho do Ártico atingiu sua extensão máxima de inverno em março de 2026 no menor nível já medido. Esse máximo foi 5% menor que o recorde anterior de baixa, estabelecido apenas dois anos antes. A queda no inverno foi impulsionada por temperaturas do ar e do oceano excepcionalmente altas nos mares de Bering, Barents e Kara. Em algumas áreas, as temperaturas da superfície do mar ficaram de 3 a 5 graus Celsius acima da média de longo prazo.

Por que isso importa para quem vive no Ártico

Para comunidades indígenas no norte da Noruega, Canadá, Groenlândia e Alasca, o encolhimento do gelo no inverno não é um número abstrato. Ele afeta rotas de viagem, temporadas de caça e a estabilidade do litoral. O gelo mais fino torna perigoso para pescadores e criadores de renas que dependem de vias aquáticas congeladas para transporte. Líderes locais em Svalbard e ao longo da costa norueguesa relataram que algumas trilhas tradicionais de inverno não são mais seguras para atravessar. A perda de gelo também acelera a erosão costeira, porque a água aberta permite que ondas maiores atinjam costas que antes eram protegidas.

O que os dados mostram sobre a tendência maior

A queda recorde no inverno encerra um período de três anos em que a perda de gelo marinho no Ártico parecia ter desacelerado. Alguns cientistas especularam que a variabilidade climática natural poderia estar compensando temporariamente a tendência de aquecimento de longo prazo. Os novos dados sugerem que essa pausa acabou. O inverno de 2025-2026 registrou a maior queda anual na extensão do gelo desde o início do monitoramento em 1979. O Instituto Polar Norueguês observou que o gelo que se formou era mais fino e mais jovem do que em décadas passadas, tornando-o mais vulnerável ao derretimento no verão.

A perda recorde deste inverno não garante um derretimento recorde no verão, mas deixa o Ártico com um ponto de partida mais fino para os meses ensolarados. A região vem aquecendo quase quatro vezes mais rápido que a média global, fenômeno conhecido como amplificação ártica. As novas medições confirmam que o declínio de longo prazo no gelo marinho continua, sem sinais de reversão.

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