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Uso de fogo de 1,8 milhão de anos encontrado em caverna na África do Sul

A evidência mais antiga conhecida de humanos usando fogo deliberadamente foi encontrada não em uma planície aberta, mas no fundo de uma caverna na África do Sul, onde chamas naturais nunca poderiam chegar. Pesquisadores...

A evidência mais antiga conhecida de humanos usando fogo deliberadamente foi encontrada não em uma planície aberta, mas no fundo de uma caverna na África do Sul, onde chamas naturais nunca poderiam chegar. Pesquisadores descobriram ossos queimados enterrados longe da entrada da caverna, sugerindo que ancestrais humanos antigos carregavam fogo para a escuridão e o mantinham aceso. A descoberta empurra a linha do tempo do uso controlado do fogo em centenas de milhares de anos.

Ossos queimados no fundo da Caverna Wonderwerk

A Caverna Wonderwerk fica no Deserto de Kalahari, na África do Sul. Por anos, arqueólogos escavaram suas camadas de sedimentos em busca de sinais de vida antiga. Em 2012, a mesma equipe encontrou evidências de fogo datando de cerca de um milhão de anos atrás, considerado na época o uso intencional de fogo mais antigo já registrado. Mas a escavação contínua agora empurrou essa data para trás de forma dramática.

Usando uma nova técnica que detecta sinais microscópicos de queima em ossos fossilizados, cientistas identificaram vestígios de fogo em depósitos datados entre 1,07 e 1,79 milhão de anos atrás. Os ossos queimados foram encontrados no fundo da caverna, além do alcance de qualquer incêndio natural. Isso significa que o fogo não foi acidental. Foi trazido e cuidado por hominídeos.

Uma colaboração entre continentes

A pesquisa foi liderada pela Dra. Liora Kolska Horwitz da Universidade Hebraica de Jerusalém, que codirige o projeto da Caverna Wonderwerk com o Prof. Michael Chazan da Universidade de Toronto. Uma equipe internacional de cientistas da Espanha, Argentina, Canadá, Estados Unidos, África do Sul, Portugal e Israel contribuiu para o estudo, que combinou arqueologia, paleontologia e geologia.

As descobertas foram publicadas na PLOS One. Elas oferecem uma nova janela para como os primeiros humanos interagiam com o fogo muito antes de poderem criá-lo sob demanda. O fogo fornecia calor, luz após o escuro, proteção contra predadores e, eventualmente, a capacidade de cozinhar alimentos. Mas identificar quando os humanos começaram a usar o fogo tem sido uma das questões mais difíceis da arqueologia.

Por que pesquisadores locais se importam

Para cientistas sul-africanos e a comunidade arqueológica em geral, a Caverna Wonderwerk é um sítio raro. Suas camadas profundas de sedimento preservam um longo registro de atividade humana primitiva em uma região já famosa por fósseis antigos de hominídeos. A nova evidência mostra que os primeiros humanos não estavam apenas coletando ou caçando. Eles estavam gerenciando um recurso complexo dentro de uma caverna, um comportamento que exigia planejamento e coordenação.

O estudo também introduz uma nova ferramenta para detectar queimaduras antigas, que pode ajudar a identificar o uso de fogo em outros sítios onde as evidências eram muito sutis para serem vistas. Essa técnica pode remodelar o que sabemos sobre quando e onde os primeiros humanos dominaram o fogo.

Uma linha do tempo empurrada para trás

A descoberta não prova que esses primeiros humanos conseguiam acender fogo do zero. Eles provavelmente coletavam fogo de fontes naturais, como raios, e o carregavam para a caverna, mantendo-o aceso. Mas mesmo isso exigia um comportamento sofisticado. Sugere um nível de organização social e compreensão ambiental que supera as estimativas anteriores por uma margem ampla.

A Caverna Wonderwerk agora se destaca como um dos sítios mais antigos associados ao uso de fogo por hominídeos em qualquer lugar do mundo. Os ossos queimados, no fundo da escuridão, são evidências silenciosas de uma habilidade que eventualmente mudaria tudo.

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