Morcegos machos pagam um preço alto pela disputa. Um novo estudo com morcegos selvagens na China mostra que os machos têm sistema imunológico mais fraco que as fêmeas, e a diferença aumenta com a idade. O motivo parece ser a competição por acasalamento, que drena energia da defesa imunológica.
Temporada de acasalamento afeta a imunidade dos machos
Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências e outras instituições estudaram uma espécie de morcego selvagem chamada morcego ferradura grande. Eles capturaram morcegos em diferentes estações e mediram marcadores imunológicos no sangue. Os resultados foram claros: os machos tinham níveis mais baixos de moléculas imunológicas chave do que as fêmeas, especialmente durante a temporada de acasalamento. Os cientistas associaram essa queda às demandas físicas e energéticas de competir por parceiras.
Machos mais velhos mostram o maior declínio imunológico
O estudo também descobriu que a idade importa. Machos mais velhos tinham sistema imunológico mais fraco do que machos mais jovens, enquanto as fêmeas não mostraram esse declínio com a idade. Os pesquisadores sugerem que anos de competição por acasalamento desgastam gradualmente o sistema imunológico masculino. Esse padrão é semelhante ao observado em alguns outros mamíferos, mas não havia sido claramente demonstrado em morcegos antes.
Os morcegos foram estudados em seu habitat natural na China, não em laboratório. Isso é importante porque animais selvagens enfrentam pressões reais que animais de laboratório não enfrentam. A equipe de pesquisa local acompanha essas populações de morcegos há anos, e os animais fazem parte de um ecossistema maior que inclui cavernas, florestas e assentamentos humanos próximos. Conservacionistas locais se importam com essas descobertas porque os morcegos desempenham um papel fundamental no controle de insetos e na polinização de plantas.
Este estudo se soma a um crescente corpo de evidências de que sexo e reprodução moldam os sistemas imunológicos na natureza. Também levanta questões sobre como envelhecimento e competição afetam a resistência a doenças em outros animais de vida longa, incluindo humanos. As descobertas foram publicadas em um periódico revisado por pares e são baseadas em dados de campo coletados ao longo de várias estações.